A reação em cadeia da polimerase (PCR, do inglês Polymerase Chain Reaction) permite copiar regiões específicas do DNA. A técnica de PCR em tempo real é uma variação da técnica de PCR que permite estimar a quantidade de DNA em amostras biológicas por meio de sondas que emitem fluorescência. A amplificação da sequência-alvo é monitorada durante o processo e, à medida que o DNA é amplificado, o nível de fluorescência cresce proporcionalmente. O resultado é visualizado ao longo do processo, dispensando a etapa de eletroforese. Essa técnica
- A)identifica a sequência de DNA e suas respectivas mutações por meio de sequenciamento completo.
Errada, porque sequenciamento completo identifica a sequência e mutações, mas isso não é o foco da PCR em tempo real.
- B)estima, por meio da taxa de degradação, o intervalo pós-morte de um cadáver.
Errada, pois estimar intervalo pós-morte por degradação é uma aplicação forense diferente, não da qPCR.
- C)identifica fontes de contaminação na amostra.
Errada, porque a técnica não serve especificamente para identificar fontes de contaminação na amostra, embora possa apontar interferências.
- D)permite inferir a presença de inibidores na reação de amplificação.
Certa, pois a ausência, atraso ou alteração da curva de amplificação pode indicar inibidores na reação.
- E)identifica o número correto de contribuintes em amostras que contêm misturas de perfis genéticos.
Errada, porque determinação do número de contribuintes em misturas genéticas é típica de análises de perfil genético, não da PCR em tempo real.
Gabarito: D
A PCR em tempo real (qPCR) é uma versão da PCR que permite acompanhar a amplificação do DNA enquanto a reação acontece. Em vez de esperar o fim do processo para analisar o produto em gel, a leitura é feita por fluorescência, o que facilita estimar a quantidade inicial do material genético na amostra. É como ver a reação “trabalhando ao vivo”, sem precisar esperar o pós-jogo da eletroforese. O ponto central é que a fluorescência aumenta conforme o DNA-alvo é copiado, mas isso só acontece de forma previsível se a reação estiver funcionando bem. Quando há substâncias que atrapalham a enzima ou a amplificação, o sinal fica alterado, retardado ou até ausente. Por isso, a técnica também ajuda a perceber a presença de inibidores na reação. Esses inibidores podem vir da própria amostra biológica, como heme, fenol, álcool, sais ou outros contaminantes de extração. Na prática, a qPCR é muito usada justamente porque oferece rapidez, sensibilidade e controle de qualidade da reação. Se o DNA não amplifica como deveria, o problema pode não ser ausência de alvo, mas interferência química no processo. Assim, o gabarito D está correto porque a PCR em tempo real permite inferir a presença de inibidores ao analisar a curva de amplificação e o comportamento da fluorescência. Isso é uma aplicação clássica da técnica: além de quantificar, ela também ajuda a diagnosticar falhas de amplificação.