Dois bebês foram trocados na maternidade de um hospital e, somente anos depois, uma das mães, Maria, recebeu a informação de que ela não era a mãe biológica de sua filha, Joana. O exame de DNA, solicitado pelo suposto pai e excompanheiro de Maria, apresentou o resultado que confirmou ter havido erro da unidade de saúde uma vez que tanto o suposto pai quanto Maria não possuíam perfis genéticos compatíveis com o de pais biológicos de Joana. Maria nunca desconfiou que poderia ter havido troca dos bebês no hospital, pois, segundo ela, a menina tem aparência semelhante à de sua família, pois o pai é claro, a mãe é morena e o irmão, negro. Com relação à situação hipotética apresentada e assuntos correlatos, assinale a opção correta.
- A)O resultado do exame confirma o fato de que Maria e Joana certamente não possuem alelos em comum.
Errada, porque a exclusão de maternidade/paternidade não significa ausência de alelos em comum, já que filhos biológicos sempre compartilham parte dos alelos com os pais.
- B)A semelhança física também é utilizada para o cálculo do índice de paternidade e maternidade.
Errada, porque semelhança física não é critério técnico para calcular índice de paternidade ou maternidade, que se baseia em marcadores genéticos.
- C)O exame de paternidade comumente empregado para os casos como o descrito no texto é o exame de DNA mitocondrial.
Errada, porque o exame usual para filiação é o DNA nuclear com marcadores autossômicos, e não o DNA mitocondrial, que serve para outras análises de linhagem materna.
- D)O exame de DNA realizado entre a criança e sua mãe biológica deve indicar compartilhamento de alelos em todos os marcadores genéticos analisados, salvo casos raros de mutação.
Certa, porque a criança deve compartilhar alelos com a mãe biológica nos marcadores analisados, exceto em raras mutações que podem alterar algum resultado pontual.
- E)Maria deve ter tido mutações na formação do óvulo e, por isso, o exame de DNA apresentou como resultado a exclusão da maternidade para sua filha de criação.
Errada, porque a exclusão da maternidade não decorre de mutação na formação do óvulo; decorre da incompatibilidade genética entre a criança e a mulher testada.
Gabarito: D
Quando se fala em troca de bebês e exame de DNA, o ponto central é simples: cada filho biológico recebe metade do material genético da mãe e metade do pai. Por isso, a análise compara marcadores genéticos da criança com os dos supostos genitores para ver se os alelos são compatíveis com herança biológica. Se não há compatibilidade, o exame pode excluir a maternidade ou a paternidade biológica. No caso narrado, o exame mostrou que Maria e o suposto pai não tinham perfil genético compatível com a origem biológica de Joana. Isso é exatamente o que se espera quando houve erro na maternidade: a criança não foi gerada por aquele casal, embora possa ter sido criada com eles e até se parecer fisicamente com a família por fatores fenotípicos, ambientais e pela combinação de características que enganam fácil os olhos humanos. Aparência, aqui, faz um ótimo papel de figurante, mas não substitui o DNA. O gabarito está correto porque o exame de DNA entre a criança e sua mãe biológica deve indicar compartilhamento de alelos nos marcadores genéticos analisados, salvo situações raras como mutações. Em testes de filiação, a lógica é verificar se os alelos da criança podem ser explicados pela herança dos genitores. Se a mãe biológica for testada, haverá compatibilidade consistente com a transmissão genética, o que não aconteceu com Maria, justamente porque ela não era a mãe biológica. Em provas, a banca costuma tratar DNA como prova forte de vínculo biológico, e isso é coerente com a aplicação forense e com a identificação genética usada em perícia. Então, sempre desconfie de alternativas que confundem semelhança física com parentesco genético ou que tratam ausência de compatibilidade como se fosse causada automaticamente por mutação.