Um levantamento divulgado no dia 11 de janeiro de 2021, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o preço médio da cesta básica aumentou em todas as 17 capitais pesquisadas ao longo de 2020. A cesta básica é o conjunto de alimentos necessários para as refeições de uma pessoa adulta. A alta dos preços, segundo o órgão, foi reflexo, principalmente, da desvalorização cambial e do alto volume das exportações. Além disso, fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas, também impactaram nos preços dos alimentos. Entre os principais itens da cesta com maior aumento nos preços em todas as capitais pesquisadas, o Dieese destacou: I. Arroz agulhinha – foi um dos vilões da inflação de alimentos em 2020, pressionado pela desvalorização do real frente ao dólar, o que aumentou o custo de produção e elevou o volume de grão exportado, além da diminuição da área plantada e do abandono da política de estoques reguladores por parte do governo. II. Óleo de soja: como o Brasil não produz a quantidade de soja suficiente para a demanda interna, o país depende da importação do produto, cujo preço foi elevado diante da desvalorização cambial III. Batata: produção foi impactada ao longo do ano devido a condições climáticas, que resultou em redução na oferta do produto e, consequentemente, na alta de preços. IV. Farinha de trigo e pão francês: o Brasil exportou um elevado volume de trigo e derivados, devido ao real desvalorizado em relação ao dólar e à forte demanda externa, o que fez aumentar o preço do produto no mercado interno. V. Tomate: além da redução de área plantada, houve impacto por fatores climáticos que prejudicaram a produção. Assinale a alternativa CORRETA:
- A)Apenas o item I está incorreto.
Errada, porque o item I está compatível com as causas apontadas pelo Dieese.
- B)Apenas o item II está incorreto.
Errada, porque não é apenas o item II que está incorreto; o item IV também apresenta erro.
- C)Apenas o item IV está incorreto.
Errada, porque o item IV não é o único incorreto e o item II também está errado.
- D)Apenas os itens II e IV estão incorretos.
Certa, porque os itens II e IV trazem justificativas equivocadas sobre produção, importação e exportação.
- E)Todos os itens estão corretos.
Errada, porque nem todos os itens estão corretos: II e IV destoam do diagnóstico divulgado.
Gabarito: D
A questão gira em torno da inflação dos alimentos em 2020, quando a cesta básica subiu em todas as capitais pesquisadas pelo Dieese. O movimento foi puxado por três fatores bem conhecidos: dólar alto, exportações aquecidas e problemas climáticos, que reduziram a oferta de vários produtos. Na prática, quando o real perde valor, exportar fica mais vantajoso e o mercado interno sente o aperto no preço. Os itens I, III e V estão coerentes com essa lógica. O arroz subiu muito porque houve forte demanda externa, câmbio desvalorizado e menor incentivo à formação de estoques reguladores. A batata e o tomate também sofreram com fatores climáticos e redução de oferta. Até aqui, a conta fecha sem susto. O problema aparece nos itens II e IV. No caso do óleo de soja, a justificativa está errada porque o Brasil não depende de importação para suprir a demanda interna desse produto; o encarecimento ocorreu principalmente pela valorização da soja no mercado internacional, pelo câmbio e pela maior exportação, e não por falta de produção interna. Já em farinha de trigo e pão francês, o raciocínio também está invertido: o Brasil não exporta grande volume de trigo a ponto de essa ser a causa principal da alta no mercado interno; como o país é dependente de importação de trigo, a desvalorização do real encareceu o produto, pressionando farinha e pão. Por isso, a alternativa D é a correta: apenas os itens II e IV estão incorretos. É um tema clássico de atualidades com cara de economia do dia a dia, algo que a banca gosta de cobrar com explicações aparentemente técnicas, mas que exigem atenção à lógica da produção e do comércio exterior.