A Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu relatório 2021 Antibacterial agents in clinical and preclinical development: an overview and analysis, revelou que o desenvolvimento de novos tratamentos antibacterianos é inadequado para lidar com a crescente ameaça de resistência aos antibióticos. "Há uma grande lacuna na descoberta de tratamentos antibacterianos e, mais ainda, na descoberta de tratamentos inovadores", afirmou Hanan Balkhy, diretora-geral assistente da OMS sobre resistência antimicrobiana. No Brasil, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) reforça a necessidade de investimento para frear o avanço das superbactérias (adaptado de Sobrinho (2023) e OPAS (2022)). Ao encontro dessa temática, analise as asserções a seguir: I.Ainda que a OMS chame a atenção acerca da lacuna na descoberta de tratamentos antibacterianos, o número de mortes relacionadas às superbactérias que resistem a medicamentos tradicionais permanece estável, principalmente nos últimos anos. II.Como as bactérias se tornam resistentes cada vez mais cedo, os medicamentos ficam obsoletos rapidamente e deixam de interessar à indústria farmacêutica. Além disso, o setor privado prefere investir em áreas mais lucrativas, como, por exemplo, a oncologia. III.O insuficiente número de pesquisas sobre novos antibióticos representa um sério desafio para superar a crescente pandemia de resistência antimicrobiana e deixa a população cada vez mais vulnerável a infecções bacterianas, incluindo as infecções mais simples. É correto o que se afirma em:
- A)II e III, apenas.
Esta alternativa afirma que apenas as asserções II e III estão corretas. Isso está de acordo com o tema do relatório da OMS: há pouco investimento em novos antibacterianos, porque esses produtos tendem a perder eficácia rapidamente e têm menor atratividade econômica para a indústria, que muitas vezes direciona recursos para áreas mais lucrativas, como a oncologia. Como a asserção I é falsa ao dizer que as mortes por superbactérias permaneceram estáveis, o conjunto II e III é exatamente o que se sustenta no conteúdo.
- B)II, apenas.
Aqui se sustenta que somente a asserção II estaria correta. O problema é que a III também descreve adequadamente o cenário apontado pela OMS, ao destacar que a escassez de novas pesquisas em antibióticos agrava a resistência antimicrobiana e aumenta a vulnerabilidade da população, inclusive diante de infecções simples. Portanto, a alternativa fica incompleta ao excluir uma afirmação que também procede.
- C)III, apenas.
Esta opção diz que apenas a asserção III está correta. Embora a III realmente traduza bem o alerta sobre a falta de novos antibióticos e o risco crescente para a saúde pública, ela ignora a II, que também é compatível com a realidade do setor farmacêutico: a resistência rápida reduz o retorno econômico dos antibióticos e desestimula investimentos privados. Assim, não se pode limitar a resposta à III.
- D)I, apenas.
A alternativa afirma que somente a asserção I estaria correta, mas o conteúdo dela contraria os dados sobre resistência antimicrobiana. As mortes associadas a bactérias resistentes não permanecem estáveis; ao contrário, o problema é reconhecido como crescente e preocupante, justamente o que justifica o alerta da OMS sobre a lacuna terapêutica. Por isso, a I não se sustenta no mérito.
- E)I, II e III.
Esta opção reúne I, II e III como se todas estivessem corretas. O erro está logo na asserção I, que afirma estabilidade nas mortes por superbactérias, quando o quadro descrito pela OMS e por organismos de saúde aponta aumento da gravidade do problema e necessidade urgente de novos tratamentos. Como uma das premissas é falsa, não é possível considerar o trio inteiro como verdadeiro.
Gabarito: A
A questão trata da resistência antimicrobiana, um problema global que a OMS vem alertando há anos: quanto mais as bactérias resistem aos antibióticos, mais difícil fica tratar infecções que antes eram simples. O ponto central do relatório de 2021 é justamente a falta de novos antibacterianos em desenvolvimento, o que aumenta a pressão sobre a saúde pública e sobre a indústria farmacêutica. A afirmativa I está errada porque a tendência não é de estabilidade nas mortes, mas de aumento do impacto das infecções resistentes. A resistência antimicrobiana já é reconhecida como ameaça grave e crescente, com risco de elevar internações, complicações e óbitos. A afirmativa II está correta porque muitos antibióticos perdem utilidade com rapidez, o que desestimula investimento privado: o retorno financeiro costuma ser menor do que em áreas mais lucrativas, como oncologia e doenças crônicas. Isso ajuda a explicar por que há pouca inovação nesse campo, apesar da necessidade social enorme. A afirmativa III também está correta. Quando faltam pesquisas e novos antibióticos, a população fica mais vulnerável até a infecções comuns, já que tratamentos tradicionais deixam de funcionar. É exatamente esse descompasso entre necessidade e inovação que a OMS chamou atenção em 2021, justificando o gabarito A.