O psicólogo norte-americano Jonathan Haidt denomina de “A Grande Reconfiguração da Infância” os impactos do acesso constante às redes sociais por meio de smartphones. Essa é uma característica marcante da geração Z, a primeira a vivenciar a puberdade em um mundo já tomado por essa tecnologia. Assinale a opção que apresenta um efeito dessa reconfiguração.
- A)A perda de oportunidades para lazer e divertimento devido às possibilidades restritas da vida em rede.
Errada, porque a crítica não é à falta de lazer, mas ao excesso de vida mediada por telas e seus impactos cognitivos e sociais.
- B)O enfraquecimento da atenção, causado pelos estímulos e interrupções constantes no meio digital.
Certa, pois as notificações, estímulos rápidos e interrupções constantes realmente enfraquecem a atenção e a concentração.
- C)A substituição do aprendizado presencial por interações mais eficazes no desenvolvimento socioemocional.
Errada, porque não houve substituição benéfica do presencial por interações mais eficazes; a questão aponta prejuízos, não ganhos socioemocionais.
- D)O fortalecimento do autocontrole em jovens, devido à necessidade de gerenciar seus perfis virtuais.
Errada, já que o uso intenso de redes sociais tende mais a aumentar impulsividade e comparação social do que fortalecer autocontrole.
- E)A ampliação da vulnerabilidade social dos adolescentes, graças à maior exposição às situações presenciais.
Errada, porque a maior exposição é virtual, não presencial, e isso não amplia vulnerabilidade social por esse motivo descrito.
Gabarito: B
Jonathan Haidt usa a expressão "A Grande Reconfiguração da Infância" para descrever como o uso contínuo de smartphones e redes sociais mudou a rotina dos adolescentes, especialmente da geração Z. Em vez de uma infância mais presencial, com brincadeiras, convivência face a face e mais tempo longe das telas, passou a existir uma vida mais mediada por notificações, feeds e comparação social constante. O ponto central da crítica de Haidt é que esse ambiente digital fragmenta a experiência de atenção. O cérebro fica sendo puxado o tempo todo por alertas, mensagens, vídeos curtos e trocas rápidas, o que prejudica a concentração sustentada. É como tentar estudar com alguém batendo na porta a cada cinco minutos: a produtividade e o foco sofrem mesmo. Por isso, o gabarito é a letra B. O enunciado aponta justamente um efeito dessa reconfiguração: o enfraquecimento da atenção, causado pelos estímulos e interrupções constantes no meio digital. Essa ideia aparece com frequência no debate contemporâneo sobre saúde mental e uso excessivo de telas, e é compatível com a análise de Haidt sobre os impactos sociais e cognitivos da infância hiperconectada. As demais alternativas tentam inverter ou suavizar o problema, como se a tecnologia trouxesse mais autonomia, mais convivência presencial ou mais autocontrole. Na prática, a crítica de Haidt vai na direção oposta: mais dependência do celular, mais dispersão e menos tempo de interação presencial de qualidade.