Em 2023, a Academia Brasileira de Letras (ABL) anunciou a inclusão da palavra “dorama” no dicionário da língua portuguesa: “obra audiovisual de ficção em formato de série, produzida no leste e sudeste da Ásia, de gêneros e temas diversos, em geral com elenco local e no idioma do país de origem”. O movimento chegou a ser criticado pela Associação Brasileira dos Coreanos por generalização cultural. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
- A)A ABL, anualmente, abre uma consulta pública para inclusão de novas palavras no dicionário da língua portuguesa.
Errada: a ABL não abre, em regra, uma consulta pública anual para decidir novas palavras do dicionário.
- B)A comunidade japonesa no Brasil pediu à ABL a inclusão da palavra no dicionário de língua portuguesa por seus interesses em ter suas produções audiovisuais circulando na televisão aberta.
Errada: não houve pedido da comunidade japonesa no Brasil com esse objetivo, e a inclusão não decorre de interesse comercial na TV aberta.
- C)É comum a inclusão de novas palavras ou expressões no dicionário de língua portuguesa pela ABL. A necessidade vem na necessidade de nomear algo que passa a fazer parte da sociedade, como novas tecnologias ou sentimentos.
Certa: o dicionário incorpora palavras e expressões quando elas passam a nomear novas realidades ou usos sociais já consolidados.
- D)O termo “dorama” foi introduzido no dicionário de língua portuguesa devido à pressão da comunidade japonesa no brasil, que, em 2023, celebrou 115 anos de imigração no país.
Errada: a inclusão não ocorreu por pressão da comunidade japonesa no Brasil nem por celebração de imigração.
- E)A inclusão de novas palavras ou expressões no dicionário de língua portuguesa pela ABL se deve à demanda de internacionalização da cultura brasileira, por meio da língua, uma das metas estabelecidas pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Errada: a lógica da inclusão lexicográfica não é uma meta da CPLP de internacionalizar a cultura brasileira, mas o registro do uso linguístico.
Gabarito: C
A ABL, por meio de seus dicionários e do trabalho lexicográfico ligado ao uso real da língua, registra palavras e expressões que passam a circular com frequência na sociedade. Isso não acontece por consulta pública anual nem por vontade política, mas porque a língua vive, muda e vai absorvendo novos usos. É a velha regra da língua em movimento: hoje é gíria, amanhã pode virar verbete. No caso de “dorama”, a inclusão foi notícia justamente porque a palavra já estava em circulação e descrevia um tipo específico de produção audiovisual asiática. O debate surgiu porque algumas críticas apontaram generalização cultural, já que o termo pode acabar reunindo produções de países diferentes sob uma mesma etiqueta. A alternativa C está correta porque traduz a lógica normal da ampliação do léxico: entram palavras novas quando a sociedade precisa nomear realidades novas ou consolidar usos já difundidos, como tecnologias, fenômenos culturais, sentimentos e hábitos. Em dicionário, não é a palavra que “manda” na sociedade, mas a sociedade que faz a palavra ganhar espaço. Em concurso, vale guardar a ideia central: a ABL registra o uso da língua e acompanha a evolução vocabular, em vez de funcionar como um órgão que cria palavras por decreto ou por consulta popular permanente.