Em novembro de 2023, Javier Milei venceu as eleições presidenciais na Argentina com propostas radicais para enfrentar o contexto de crise econômica e social prolongada. As afirmativas a seguir descrevem corretamente aspectos da crise socioeconômica que tem assolado a Argentina na última década, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)O principal fator da crise argentina na última década tem sido a inflação, que alcançou a casa dos três dígitos no período acumulado de um ano até fevereiro de 2023.
Certa: a inflação foi um dos principais motores da crise argentina e atingiu patamares de três dígitos no acumulado anual em 2023.
- B)A estiagem histórica que assola os pampas argentinos desde meados de 2022 tem comprometido o setor agrícola, com o aumento do preço da carne.
Certa: a seca prolongada prejudicou a produção agropecuária e afetou a oferta e os preços de itens como a carne.
- C)Os governos têm utilizado parte dos recursos públicos para subsidiar os combustíveis, a energia elétrica e os transportes, agravando o déficit interno.
Certa: os subsídios a energia, combustíveis e transporte foram usados para conter preços, mas acabaram pressionando as contas públicas.
- D)A crise sanitária da covid-19 e o conflito na Ucrânia impactaram os preços das cadeias globais de produção, agravando o cenário inflacionário argentino e impactando itens energéticos e agrícolas no país.
Certa: pandemia e guerra na Ucrânia agravaram a inflação global e atingiram fortemente energia e alimentos na Argentina.
- E)A dolarização da economia e o estabelecimento da paridade de um para um entre o peso e o dólar, estabelecida em 2022, não teve êxito, pela escassez da moeda americana no mercado argentino.
Errada: a dolarização e a paridade fixa 1 para 1 não foram estabelecidas em 2022, e sim lembram um experimento econômico antigo que já havia fracassado.
Gabarito: E
A Argentina entrou na década de 2020 com uma combinação difícil de problemas: inflação alta, queda do poder de compra, aumento da pobreza e pressão sobre as contas públicas. Em 2023, isso ficou ainda mais visível, com o índice de preços acumulando forte alta e corroendo salários, aposentadorias e a rotina de consumo da população. Não é à toa que esse cenário abriu espaço para discursos políticos mais radicais, como o de Javier Milei. Alguns fatores ajudaram a piorar a crise. A seca histórica afetou o agronegócio, que é muito importante para a entrada de dólares no país. Ao mesmo tempo, subsídios a energia, combustíveis e transportes foram usados por vários governos para tentar aliviar o custo de vida, mas isso pressionou o déficit fiscal. Como se não bastasse, a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia desorganizaram cadeias produtivas e aumentaram preços de energia e alimentos no mundo inteiro, o que bateu forte na economia argentina. A alternativa errada é a E porque mistura tempos e fatos de forma incompatível. A Argentina não adotou, em 2022, uma dolarização com paridade fixa de 1 para 1 entre peso e dólar. Essa ideia existiu no passado como o Plano de Conversibilidade, de 1991, durante o governo Menem, e acabou fracassando no começo dos anos 2000. Em 2023, o debate era justamente sobre propostas de Milei, não sobre uma medida já implantada no ano anterior. Então, a chave da questão está em perceber que as demais alternativas descrevem aspectos reais da crise argentina recente, enquanto a letra E traz uma informação historicamente errada e fora de contexto.