A 65ª edição do prêmio Jabuti, maior premiação de literatura no Brasil, colocou em pauta questões éticas relacionadas ao uso de inteligência artificial. A edição de Frankenstein, realizada pelo Clube de Literatura Clássica, foi desclassificada, depois de figurar entre as semifinalistas da categoria ilustração. Assinale a opção que melhor apresenta o contexto dessa decisão.
- A)Foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial para fazer a preparação de texto do livro, a partir do original, em domínio público. Com isso, o curador responsável pelo prêmio desclassificou a obra.
Errada: a desclassificação não ocorreu por preparação de texto a partir de obra em domínio público, e sim pelo uso de IA nas ilustrações.
- B)O uso de inteligência artificial para as ilustrações do prêmio não estava previsto no regulamento, criando um impasse para a comissão. O caso motivou debates em torno do uso da tecnologia nesse contexto e a Câmara Brasileira do Livro prometeu avaliar o assunto para a próxima edição do prêmio.
Certa: houve debate sobre o uso de IA nas ilustrações, porque o regulamento não previa claramente essa hipótese, levando à desclassificação e à promessa de revisão para futuras edições.
- C)O uso de inteligência artificial em qualquer uma das etapas de produção do livro era expressamente proibido pelo regulamento do prêmio. A editora escondeu este fato dos avaliadores, o que foi considerado grave falta de ética.
Errada: o enunciado não diz que havia proibição expressa de IA em todas as etapas, nem que a editora ocultou o fato dos avaliadores.
- D)A diagramação do livro foi feita com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, com a criação de ilustrações automáticas. A obra foi desclassificada porque este tipo de uso não estava previsto no regulamento do prêmio.
Errada: o problema não foi diagramação com ilustrações automáticas, e sim a presença de IA nas imagens da edição concorrente.
- E)O livro contava com textos de orelha e prefácio gerados por inteligência artificial. Embora isso não tivesse impacto na categoria pela qual a obra concorria, o uso foi considerado uma violação dos princípios éticos estabelecidos pelo regulamento.
Errada: a questão não trata de textos de orelha e prefácio, mas de ilustrações, e o motivo da desclassificação não foi esse tipo de conteúdo.
Gabarito: B
A questão explora um tema bem atual: o impacto da inteligência artificial nas premiações e nos critérios de autoria, criação e originalidade. Em concursos literários e artísticos, a pergunta central costuma ser simples, mas espinhosa: a obra foi produzida por humano, por máquina, ou por uma mistura dos dois? Quando o regulamento não traz regra clara, a comissão precisa decidir caso a caso, e aí nasce o debate. No Jabuti de 2023, a edição de Frankenstein, do Clube de Literatura Clássica, chegou a figurar entre as semifinalistas na categoria ilustração, mas depois foi desclassificada porque havia uso de IA nas imagens. O ponto decisivo não foi uma proibição expressa e detalhada sobre toda e qualquer IA, mas sim o fato de o regulamento não prever claramente esse tipo de uso na categoria, o que gerou questionamento e revisão do enquadramento da obra. Por isso, o gabarito é a letra B. A alternativa retrata exatamente o contexto: uso de IA nas ilustrações, ausência de previsão específica no regulamento e posterior discussão institucional sobre como tratar isso nas próximas edições. Em temas de atualidades, a banca gosta muito desse tipo de situação em que a tecnologia corre mais rápido que a regra. A lei, os editais e os regulamentos tentam alcançar a inovação, mas às vezes chegam depois do susto. Como pano de fundo jurídico, vale lembrar que editais e regulamentos vinculam a comissão e os participantes: se a regra não prevê determinada hipótese, a interpretação precisa ser feita com cuidado, especialmente em premiações que valorizam autoria, originalidade e integridade do processo criativo.