O relatório de 2022 sobre as Novas Ameaças à Segurança Humana do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) assinalou que a sensação de insegurança e de medo atormentam seis em cada sete pessoas no mundo. O Brasil, além de continuar na liderança entre os países mais ansiosos do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem visto o bem-estar mental dos brasileiros, especialmente os jovens e mulheres, piorar no pós-pandemia, em função do espectro sócio-político polarizado e do aumento das desigualdades, fatores de risco que impactam diretamente na saúde mental de indivíduos e da sociedade como um todo. QUARTIERO, Maria Fernanda, O país precisa passar por uma cura social. 2023, in https://institutocactus.org.br/ (Adaptado) Na atualidade, para promover o bem-estar mental, a integridade psíquica e o pleno desenvolvimento emocional de todas as pessoas, as políticas públicas sobre cuidados em saúde mental no Brasil
- A)adotaram o princípio da segregação, isolando as pessoas com sofrimentos mentais da sociedade, para que tenham um atendimento especializado e setorizado.
Errada, porque a política atual rejeita a segregação e busca cuidado em liberdade, com inclusão social e respeito aos direitos da pessoa.
- B)consideraram as doenças mentais como consequências de desajustes morais e sociais, a serem corrigidas mediante terapias medicamentosas e de assistência social.
Errada, porque saúde mental não é tratada como desvio moral; o enfoque atual é biopsicossocial, com cuidado em rede e não simples correção moral.
- C)aumentaram o número de leitos de hospitais psiquiátricos e a oferta de internações de longa permanência, para evitar transtornos aos familiares dos doentes.
Errada, porque o modelo brasileiro caminhou no sentido oposto ao aumento de internações prolongadas, priorizando serviços comunitários e desinstitucionalização.
- D)consolidaram modelos integrados de saúde mental e direitos humanos, mediante abordagens humanizadas de prevenção de doenças e de promoção da saúde mental.
Certa, pois expressa o modelo contemporâneo do SUS baseado em integração, humanização, prevenção e promoção da saúde mental com respeito aos direitos humanos.
- E)apoiaram-se na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do SUS, para a identificação e denúncia de portadores de transtornos mentais associados ao uso de drogas ilícitas.
Errada, porque a RAPS não existe para identificar e denunciar pessoas com transtornos mentais por uso de drogas, mas para acolher, tratar e acompanhar de forma integrada.
Gabarito: D
A política de saúde mental no Brasil mudou bastante nas últimas décadas. A lógica atual não é a de “tirar” a pessoa da sociedade e esconder o problema, mas sim de cuidar com respeito, autonomia e reinserção social. Isso vem da Reforma Psiquiátrica e da Lei 10.216/2001, que redireciona o modelo assistencial em saúde mental e protege os direitos da pessoa com transtorno mental. Na prática, o SUS trabalha com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que articula atenção básica, CAPS, urgência e outros serviços para oferecer cuidado contínuo e humanizado. A ideia é tratar, prevenir crises, acompanhar a pessoa e reduzir danos, sempre com foco em dignidade e direitos humanos. Nada de “deixa no hospício e torce para dar certo”. Por isso, a alternativa D está correta: ela descreve exatamente a consolidação de modelos integrados de saúde mental e direitos humanos, com abordagem humanizada de prevenção e promoção da saúde mental. Essa é a lógica contemporânea das políticas públicas brasileiras: cuidado em rede, inclusão social e proteção da cidadania. As outras alternativas retomam ideias antigas, estigmatizantes ou distorcidas, ligadas ao manicômio, à segregação e ao controle social, e não ao modelo atual do SUS.