Populismo digital? Donald Trump nos EUA, Brexit no Reino Unido, Bolsonaro no Brasil, Modi na Índia, Erdoğan na Turquia, Duterte nas Filipinas, e tantos outros. Em comum, esses líderes têm o autoritarismo e a desinformação como motor de suas plataformas políticas, fazem um uso avançado e especialista de recursos disponíveis em aplicativos difundidos hoje nos mais de 5 bilhões de smartphones ativos no mundo. Adaptado de https://revista.internetlab.org.br Assinale a afirmativa que descreve corretamente o uso de redes sociais para a prática do chamado “populismo digital”.
- A)A eleição de Trump em 2016 e as eleições brasileiras de 2018 criaram mecanismos para usar as redes sociais para deter a prática das fakenews.
Errada, porque as eleições citadas não criaram mecanismos para deter fake news, mas sim evidenciaram o uso político das redes e da desinformação.
- B)O escândalo Cambridge Analytica mostrou que as redes digitais podem ser usadas para influenciar os resultados de eleições.
Certa, porque o caso Cambridge Analytica mostrou como redes e dados digitais podem ser usados para influenciar o comportamento do eleitor e o resultado de eleições.
- C)A revelação de Edward Snowden sobre os programas da CIA para desmantelar o populismo digital na América Latina, expôs as novas estra estratégias de manipulação digital.
Errada, porque Snowden denunciou programas de vigilância da NSA, e não a CIA desmantelando populismo digital na América Latina.
- D)O populismo digital é alimentado pela velocidade e capilaridade das notícias difundidas pela mídia tradicional da esfera pública, TV e jornais, onde há maior credibilidade.
Errada, porque o populismo digital se apoia nas redes sociais e na comunicação direta, não na mídia tradicional como TV e jornais.
- E)O caráter relacional e performativo das redes sociais impede a redução da complexidade das mensagens populistas, baseadas em um código binário amigo-inimigo.
Errada, porque as redes sociais não impedem a simplificação da mensagem populista; ao contrário, muitas vezes a favorecem com conteúdos rápidos e polarizados.
Gabarito: B
O chamado populismo digital aparece quando líderes e campanhas políticas usam redes sociais, aplicativos de mensagens e algoritmos para falar direto com o eleitor, driblando filtros da imprensa tradicional e explorando emoções fortes, como medo, raiva e sensação de pertencimento. A lógica é simples: mensagem curta, repetição intensa, recorte de inimigos e muita circulação em ambientes de baixa checagem. Isso ajuda a criar uma comunicação mais agressiva e personalizada, com grande capacidade de mobilização. Nesse cenário, o caso Cambridge Analytica virou símbolo mundial porque mostrou como dados de usuários podem ser coletados, segmentados e usados para direcionar propaganda política de forma milimétrica. Não é só fazer propaganda na internet, mas tentar influenciar comportamento eleitoral com base em perfis psicológicos e em microtargeting. Por isso, a banca associa o tema ao uso estratégico das redes para interferir em eleições. O gabarito é a letra B porque ela descreve justamente essa ideia: as redes digitais podem ser usadas para influenciar resultados eleitorais. Isso se conecta ao debate internacional sobre desinformação, propaganda segmentada e manipulação de dados, muito discutido após o caso Cambridge Analytica. Em linguagem de prova, pense assim: rede social não é só palco de debate, mas também ferramenta de convencimento em massa e, às vezes, de manipulação. As demais alternativas escorregam ao inverter o fenômeno ou misturar fatos sem relação. Populismo digital não é mecanismo para deter fake news, não foi revelado por Snowden nesse contexto e não depende principalmente da mídia tradicional. Também não faz sentido dizer que o caráter relacional das redes impede a simplificação populista, porque justamente essas plataformas facilitam mensagens binárias, emotivas e altamente compartilháveis.