Em setembro de 2022 a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi alvo de um atentado. Ela chegava em sua residência no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, quando um homem apontou uma arma de fogo próximo de seu rosto. O presidente Alberto Fernández e outros líderes políticos atribuíram o ato a discursos de ódio “espalhados a partir de espaços políticos, judiciais e midiáticos”. A respeito da crise político-econômica da Argentina que compõe o pano de fundo desse atentado, leia as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A Argentina apresenta um quadro inflacionário e de aumento de preços, agravado por problemas como a guerra na Ucrânia e a quebra das cadeias globais de produção em função da pandemia de covid-19. ( ) A crise econômica da Argentina está associada à dificuldade crônica do país em pagar a dívida externa e ao fato de possuir mais da metade de sua dívida em moedas estrangeiras. ( ) A crise é também política, uma vez que Cristina Kirchner faz oposição ao peronismo do governo e propõe cortar os atuais subsídios de tarifas de energia, transportes e água, para poder reduzir a dívida do país. Assinale a opção com a sequência correta, de cima para baixo
- A)V – V – F.
Certa, porque a primeira e a segunda afirmativas estão corretas e a terceira está errada.
- B)V – F – V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira, não falsa.
- C)F – F – V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras, não falsas.
- D)F – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira, não falsa.
- E)V – V – V.
Errada, porque a terceira afirmativa é falsa, então não há como todas serem verdadeiras.
Gabarito: A
A questão mistura política argentina com economia bem complicada, e isso é clássico de prova da FGV: ela gosta de colocar um fato político recente para testar se voce entende o contexto maior. A Argentina vinha enfrentando inflação muito alta, perda de poder de compra e dificuldade de controlar preços, algo piorado por choques externos como a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia, que mexeram com energia, alimentos e cadeias de produção. Outro ponto importante é a dívida externa. O país tem histórico de inadimplência, renegociações e crise de confiança com credores, além de uma parte relevante da dívida estar em moeda estrangeira, o que pesa ainda mais quando o peso argentino se desvaloriza. Em termos práticos, é como dever em dólar ganhando em peso: a conta fica mais pesada rapidamente. A terceira afirmativa erra feio ao dizer que Cristina Kirchner faz oposição ao peronismo do governo. Na época, ela integrava a base governista, ligada ao peronismo/ kirchnerismo, e não era uma opositora externa. Além disso, a proposta de cortar subsídios de energia, transporte e água não é apresentada corretamente como bandeira dela nesse contexto. Quem costuma defender esse tipo de ajuste é a corrente mais ortodoxa ou liberal, não a linha associada a Cristina. Por isso, a sequência correta é V - V - F. A FGV adora esse tipo de cobrança em que as duas primeiras afirmativas são plausíveis e a terceira traz uma inversão política para derrubar quem leu correndo.