“Quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos Dando porrada na nuca de malandros pretos De ladrões mulatos E outros quase brancos Tratados como pretos Só pra mostrar aos outros quase pretos E são quase todos pretos Como é que pretos, pobres e mulatos E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados...” Esses são os versos iniciais de Haiti, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil. A música parte das ruas de Salvador, repercute, por analogia, com os enormes problemas sociais que afligiam e ainda afligem o Haiti. O trecho mostra que a música convida à reflexão a respeito de questões sociais tais como
- A)feminismo, pobreza e desemprego.
Errada, porque a letra não trata de feminismo nem de desemprego; o centro da denúncia é racial e social.
- B)desigualdade social, fome e violência.
Errada, porque embora pobreza e violência apareçam, a fome não é o tema principal do trecho.
- C)desemprego, solidão e miséria.
Errada, porque desemprego e solidão não são os problemas destacados pelos versos.
- D)feminismo, orientação sexual, engajamento político.
Errada, porque a música não discute feminismo, orientação sexual nem engajamento político de forma direta.
- E)pobreza, racismo e violência estrutural.
Certa, porque o trecho denuncia a pobreza, o racismo e a violência estrutural sofrida pelos grupos marginalizados.
Gabarito: E
A música "Haiti", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, usa a imagem de Salvador e do Haiti para denunciar um problema social que vai além de um caso isolado: a desigualdade racial e a violência que atingem, de forma mais dura, a população negra e pobre. O trecho fala de "pretos", "mulatos" e "quase brancos quase pretos de tão pobres", mostrando como cor da pele e condição social se misturam na prática da exclusão. Perceba que a letra não está falando de um tema apenas econômico. Ela aponta para uma realidade em que pobreza, racismo e violência andam juntos, como se fossem um pacote bem desagradável da vida social brasileira. É uma crítica à forma como certos grupos são tratados pelo Estado e pela sociedade, especialmente pela ação policial e pela marginalização histórica. Por isso, o gabarito é a letra E. O verso expõe pobreza, racismo e violência estrutural, isto é, uma violência que não depende só de atos individuais, mas está enraizada nas instituições e na organização social. Esse tipo de leitura é muito comum em questões de Atualidades, que gostam de relacionar cultura popular com problemas sociais do Brasil. Em termos de interpretação, a música pede que você veja além da palavra "Haiti": ela usa a analogia para falar do Brasil. O foco está na desigualdade racial e social, com forte denúncia da violência contra os mais vulneráveis, especialmente a população negra.