Em setembro de 2022, a Rússia cortou o fornecimento de gás pelo gasoduto de Nord Stream 1 para a Europa por tempo indeterminado, em resposta às sanções impostas ao país pela invasão da Ucrânia iniciada em fevereiro do mesmo ano. Assinale a afirmativa correta a respeito das principais medidas tomadas pela União Europeia (EU) para minimizar os impactos da política energética russa.
- A)Reduzir a dependência do gás natural proveniente da Rússia na França e na Itália, as duas economias europeias mais vulneráveis aos cortes energéticos russos.
Errada: a dependência do gás russo era um problema mais amplo na União Europeia, não algo concentrado apenas na França e na Itália.
- B)Substituir os gasodutos por rotas alternativas para os combustíveis árabes, sobretudo ferroviárias e rodoviárias, de modo a baratear os custos de transporte.
Errada: a substituição por rotas ferroviárias e rodoviárias não faz sentido para gás natural em larga escala, que depende de dutos ou de liquefação para transporte marítimo.
- C)Fortalecer a expansão da OTAN na Escandinávia e na Europa Oriental, tendo conseguido incluir novos membros, como Suécia, Finlândia, Polônia e Belarus.
Errada: a questão trata de política energética da União Europeia, e além disso Belarus não foi incluída na OTAN; a lista de novos membros citados está incorreta.
- D)Disputar a oferta de gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional, uma vez que ele pode ser transportado por navios-tanque ao invés de gasodutos.
Certa: a UE passou a disputar GNL no mercado internacional, porque ele pode ser transportado por navios-tanque e ajuda a substituir o gás russo dos gasodutos.
- E)Investir em fontes de energia renováveis e acelerar a transição verde, taxando o uso de combustíveis fósseis e de energia nuclear.
Errada: embora a transição verde seja um objetivo europeu, a afirmação mistura medidas e erra ao falar em taxação da energia nuclear, que não foi a linha central dessa resposta emergencial.
Gabarito: D
A guerra na Ucrânia virou a chave da política energética europeia. Quando a Rússia passou a usar o gás como instrumento de pressão, a União Europeia precisou correr para reduzir a dependência desse fornecimento, que era importante sobretudo para países muito expostos ao gás russo. Em vez de ficar refém dos gasodutos, a estratégia passou a ser diversificar fornecedores, reforçar estoques, economizar energia e acelerar a transição energética. No curto prazo, a solução mais prática foi buscar gás natural liquefeito, o famoso GNL. Ele pode ser transportado por navios-tanque, o que permite comprar de outros mercados sem depender dos mesmos dutos que vinham da Rússia. Por isso, a UE disputou no mercado internacional cargamentos de GNL, especialmente de países como Estados Unidos, Catar e outros fornecedores. É uma medida cara, mas útil para evitar apagões e aquecer o inverno sem drama geopolítico maior. A lógica aqui é bem simples: se o gás encanado fica vulnerável a cortes, a saída é ampliar rotas e fontes. Ao mesmo tempo, a União Europeia também reforçou políticas de energia renovável e eficiência energética, dentro do plano REPowerEU. Mas, na questão, o ponto central pedido é a resposta emergencial ao corte russo no abastecimento, e isso passa diretamente pelo GNL no mercado internacional. Então o gabarito é a letra D porque ela descreve a medida mais imediata e concreta adotada pela UE para compensar a perda do gás russo: buscar gás natural liquefeito transportado por navios, reduzindo a dependência dos gasodutos controlados pela relação com a Rússia.