Em julho de 2022, a cantora Anitta se posicionou politicamente. A respeito da relação entre política, redes sociais e agentes da cultura, como Anitta, avalie as afirmativas a seguir. I. Os seguidores da Anitta têm familiaridade com as redes sociais, que se tornaram um ambiente importante para comunicar posições políticas e de engajamento. II. Ao apoiar determinado candidato, mas não o seu partido, a artista mostra como a ação política está cada vez mais desvinculada da filiação partidária. III. A desconexão partidária manifestada pela artista pode ser comprovada por sua campanha pelo fim do voto obrigatório e para jovens de 16 e 17 não tirarem o título de eleitor. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa diz que apenas a afirmativa I estaria correta, isto é, que o público de Anitta está habituado às redes sociais e que esses ambientes são relevantes para divulgar posições políticas e de engajamento. Esse ponto faz sentido, mas a opção fica incompleta porque o enunciado também traz a afirmativa II como verdadeira, ao mostrar o apoio a um candidato sem adesão ao partido. Além disso, a afirmativa III não corresponde ao caso real da mobilização da cantora, que buscou incentivar a participação eleitoral.
- B)I e II, apenas.
Esta é a combinação que melhor traduz o caso: I reconhece que as redes sociais se tornaram espaço importante para comunicação política e mobilização, e II aponta a personalização da política, com apoio ao candidato mais do que à legenda. A III inverte a atuação pública da artista, porque a campanha de 2022 foi para estimular jovens de 16 e 17 anos a tirar o título de eleitor e participar do voto, não para desestimular o alistamento.
- C)I e III, apenas
A alternativa preserva I, mas inclui III, que é incompatível com os fatos. A campanha associada a Anitta foi de incentivo à participação eleitoral dos jovens, em linha com o art. 14, §1º, II, c, da CF/88, e não para que eles deixassem de obter o título de eleitor. Além disso, a opção ignora que a afirmativa II também está correta ao registrar o enfraquecimento do vínculo partidário.
- D)II e III, apenas
Aqui se afirma que o caso mostra o apoio a um candidato sem apoio à legenda e, ao mesmo tempo, uma campanha contra o título eleitoral dos jovens de 16 e 17 anos. O primeiro ponto é coerente com a personalização da política, mas o segundo é o inverso do que ocorreu: a artista usou sua visibilidade para incentivar o alistamento e a participação desses jovens, não para afastá-los das urnas.
- E)I, II e III.
Esta opção toma as três afirmativas como verdadeiras, mas erra justamente na III. Em 2022, a manifestação pública ligada a Anitta foi de engajamento eleitoral, especialmente com jovens de 16 e 17 anos, enquanto o apoio a um candidato sem filiação partidária reforça a centralidade da figura do candidato e das redes. Por isso, o conjunto correto é I e II.
Gabarito: B
Essa questão mistura política com um fenômeno bem atual: a atuação de artistas e influenciadores nas redes sociais. Hoje, perfis com muitos seguidores viram uma espécie de “palco político”, onde opiniões, campanhas e mobilização circulam rápido e alcançam gente que talvez nem acompanhe a política pelo noticiário tradicional. Isso torna as redes um espaço central de engajamento e comunicação política. A afirmativa I está correta porque os seguidores da cantora, em geral, já estão habituados ao ambiente digital, onde posicionamentos políticos são divulgados, debatidos e até viralizados. Em tempos de Instagram, Twitter e afins, política e cultura caminham juntas com frequência, às vezes até mais do que os partidos conseguem fazer sozinhos. A afirmativa II também está correta. Quando uma figura pública apoia um candidato específico, mas não necessariamente seu partido, isso mostra um traço forte da política contemporânea: a personalização. Ou seja, muitas vezes a escolha política se orienta mais pela imagem do candidato do que pela filiação partidária. Isso enfraquece a centralidade dos partidos, que continuam importantes no sistema eleitoral brasileiro, mas já não monopolizam a adesão do eleitorado. A afirmativa III está errada porque embaralha a ideia de engajamento com uma conclusão que não se sustenta. Defender participação eleitoral de jovens e discutir voto obrigatório não “comprova” desconexão partidária. Além disso, no Brasil, o voto é obrigatório para maiores de 18 e menores de 70 anos, e o alistamento eleitoral é facultativo aos 16 e 17 anos, conforme a Constituição Federal, art. 14. Então, a banca quer que você perceba a diferença entre ativismo político em rede e vínculo com partido. Por isso, o gabarito é B.