Em abril de 2021, o presidente norte-americano Joe Biden convocou a Cúpula de Líderes sobre o Clima. O evento foi realizado em formato virtual, com a participação de 40 países que representavam 80% da economia mundial, com o objetivo de acelerar as respostas globais à crise climática e abordar os temas da pauta da conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP 26), programada para novembro de 2021. A respeito da Cúpula de Líderes sobre o Clima, assinale a afirmativa correta.
- A)O encontro assinalou a volta dos Estados Unidos às discussões internacionais sobre clima, e marcou uma crítica ao multilateralismo do ex-presidente Donald Trump.
Errada, porque o encontro simbolizou o retorno dos EUA à liderança climática, mas não foi uma crítica direta ao multilateralismo de Trump nesses termos.
- B)A cúpula foi marcada pelo compromisso norte-americano de reduzir em 50% as emissões de gases do efeito estufa até 2030, em relação aos níveis de 2005.
Certa, pois Biden anunciou a meta de cortar as emissões dos EUA em 50% a 52% até 2030, tomando 2005 como base.
- C)Índia e China superaram a meta dos Estados Unidos, e se comprometeram em alcançar uma economia de carbono zero até 2030, adotando políticas ambientais severas.
Errada, porque Índia e China não assumiram na cúpula a meta de economia de carbono zero até 2030, e isso não corresponde aos compromissos reais do período.
- D)A cimeira suspendeu as linhas de financiamento, idealizadas no Acordo de Paris, para os países em desenvolvimento, em função da pandemia e das consequentes crises econômicas.
Errada, pois a cúpula não suspendeu o financiamento climático aos países em desenvolvimento; ao contrário, manteve a pressão por cooperação e metas mais ambiciosas.
- E)O Brasil conseguiu projetar uma imagem favorável de sua política ambiental e se lançar como uma liderança na descarbonização da economia e na preservação florestal.
Errada, porque o Brasil não conseguiu naquele contexto projetar imagem ambiental favorável, já que sofria críticas internacionais por desmatamento e fragilização da política ambiental.
Gabarito: B
A Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada por Joe Biden em abril de 2021, teve um forte simbolismo político: os Estados Unidos voltavam a assumir protagonismo na agenda climática global depois da saída do governo Trump do Acordo de Paris e do enfraquecimento do multilateralismo ambiental naquele período. O encontro serviu para alinhar compromissos antes da COP 26, em Glasgow, e pressionar grandes emissores a elevarem suas metas de redução de gases de efeito estufa. O ponto central da questão é que o governo Biden anunciou uma meta mais ambiciosa para os EUA: reduzir as emissões em 50% a 52% até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Perceba a pegadinha clássica: o foco não é só "reduzir", mas reduzir em relação a 2005, e não em relação a 1990 ou a 2020. Isso se conecta com a lógica do Acordo de Paris, de 2015, que não impõe uma meta única para todos, mas exige compromissos nacionais progressivos, revisados periodicamente. Em 2021, a diplomacia climática estava justamente tentando transformar promessas em números mais duros, porque clima não espera calendário eleitoral. Por isso, a alternativa B está correta: ela descreve corretamente o compromisso norte-americano anunciado na cúpula. As demais trocam dados, exageram compromissos de países como Índia e China, ou inventam cenários que não ocorreram, como a suspensão do financiamento climático ou um suposto sucesso ambiental brasileiro naquele momento.