Leia o texto a seguir. Um estudo brasileiro sobre a prevalência e o impacto das coinfecções de malária, e parasitoses intestinais em aldeias Yanomami acaba de ser publicado. O poliparasitismo, ou seja, a infecção por mais de um parasita, foi identificada em 83,7% dos indígenas. Coordenado pela cientista da Fiocruz Joseli de Oliveira Ferreira, o estudo foi realizado no Polo Base Marari, uma comunidade indígena Yanomami, localizada ao norte da Amazônia brasileira, na fronteira com a Venezuela. Foram incluídos no estudo 450 indígenas, distribuídos em quatro aldeias: Alapusi, Castanha/Ahima, Gasolina e Taibrapa. A coleta das amostras foi realizada em viagens às aldeias e duraram cerca de 30 dias. “Ressalto que todos os indivíduos com diagnóstico positivo foram tratados logo após o trabalho de campo. Além de levarmos medicamentos para os agravos diagnosticados, treinamos os técnicos do Distrito Sanitário para auxiliar no estudo”, disse a pesquisadora. CNPQ. Pesquisadora da Fiocruz, bolsista do CNPq, realiza estudos sobre malária e parasitoses nos Yanomamis. Publicado em 08/03/2023. Disponível em: https://www.gov.br/cnpq/pt-br. Acesso em: 05 out. 2023. [Adaptado]. A efetividade de tal política pública é confirmada pela
- A)manutenção da sociodiversidade.
Correta, porque uma política pública eficaz para povos indígenas fortalece a permanência do grupo com sua identidade, cultura e organização própria, preservando a sociodiversidade.
- B)extinção das doenças tropicais.
Errada, porque nenhuma política pública elimina totalmente doenças tropicais, especialmente em contextos com vulnerabilidade sanitária e territorial.
- C)redução dos gastos públicos.
Errada, porque o texto não trata de economia fiscal, e a efetividade da política não se mede por corte de gastos.
- D)obtenção de visibilidade.
Errada, porque visibilidade pode até ocorrer, mas não é o critério de confirmação da efetividade da política pública apresentada.
Gabarito: A
A questão mistura saúde pública com política indigenista. Quando o Estado atua para diagnosticar, tratar e prevenir doenças em povos indígenas, ele não está só cuidando de um problema médico: está também protegendo um modo de vida próprio, com sua organização social, sua relação com o território e seus conhecimentos tradicionais. Isso conversa diretamente com a ideia de sociodiversidade, isto é, a convivência e a preservação das diferentes formas de existir na sociedade brasileira. No caso dos Yanomami, o estudo mostra a ação de uma política pública de saúde voltada a um povo indígena específico, com atendimento no território, tratamento imediato e capacitação de técnicos locais. Esse tipo de atuação é compatível com a Constituição de 1988, que reconhece aos povos indígenas sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além de assegurar o respeito à diferença. Ou seja, política pública efetiva aqui não é aquela que "apaga" o indígena, mas a que permite cuidar dele sem destruir sua identidade. Por isso, a alternativa correta é a letra A, porque a efetividade dessa política é confirmada pela manutenção da sociodiversidade. Em outras palavras: tratar doenças ajuda a preservar vidas e também a continuidade do grupo, sem impor assimilação forçada. Já as demais opções tentam transformar um resultado social e cultural em algo meramente econômico, epidemiológico absoluto ou midiático, o que não faz sentido no contexto. Em prova, sempre desconfie quando a banca troca um conceito amplo de direitos e diversidade por uma promessa grandiosa demais, como acabar com todas as doenças ou reduzir gastos a qualquer custo. Na política indigenista, o foco é proteção integral com respeito à diferença.