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Atualidades · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Atualidades

Os militantes e intelectuais que adotam o termo raça não o adotam no sentido biológico, pelo contrário, todos sabem e concordam com os atuais estudos da genética de que não existem raças humanas. Na realidade, eles trabalham o termo raça atribuindo-lhe um significado político construído a partir da análise do tipo de racismo que existe no contexto brasileiro e considerando as dimensões histórica e cultural que este nos remete. Por isso, muitas vezes, alguns intelectuais, ao se referirem ao segmento negro utilizam o termo étnico-racial, demonstrando que estão considerando uma multiplicidade de dimensões e questões que envolvem a história, a cultura e a vida dos negros no Brasil. (GOMES, 2005a, p. 47.) A promulgação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História da África e Cultura Afro-brasileira, significou um grande avanço na luta pela superação dos preconceitos contra os descendentes africanos. Uma vez que:

Gabarito: B

A Lei 10.639/2003 foi um marco porque reconheceu, dentro da escola, que a história do Brasil não pode ser contada como se a presença africana fosse um detalhe decorativo. Ela alterou a LDB para tornar obrigatório o ensino de História da África e da cultura afro-brasileira, valorizando contribuições que por muito tempo foram invisibilizadas ou tratadas de forma superficial. Na prática, isso combate uma velha lógica: a de apresentar a participação negra apenas em momentos de escravidão e sofrimento, sem mostrar sua produção cultural, religiosa, política e intelectual. O objetivo da lei é justamente corrigir esse apagamento histórico e fortalecer uma educação voltada para a diversidade e para o enfrentamento do racismo. É por isso que o gabarito é a letra B. Até pouco tempo atrás, as contribuições culturais dos africanos e de seus descendentes muitas vezes não eram reconhecidas nem valorizadas como deveriam, aparecendo de forma descontextualizada ou incompleta nos materiais e nas aulas. A lei veio para mudar esse cenário e dar visibilidade a uma história que sempre esteve presente, mesmo quando foi empurrada para a margem. Em resumo: a norma não cria a cultura afro-brasileira, claro, ela reconhece e exige seu estudo de modo sério. E isso faz toda a diferença em concurso, porque a banca gosta justamente de cobrar esse avanço legal ligado à valorização da identidade negra e ao combate ao racismo estrutural.

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