“Uma investigação conjunta do The New York Times e The Observer revela que, em 2014, a empresa obteve uma base de dados de pretenso uso acadêmico e a explorou sem permissão para elaborar estratégias eleitorais durante as eleições [...]. É um dos maiores roubos de informação da história do Facebook.” A notícia do El País é referente às seguintes afirmativas, EXCETO:
- A)Durante a campanha de 2016, a Cambridge Analytica trabalhou para dois candidatos republicanos: primeiro Ted Cruz e depois Trump. Também participou em 2016 da campanha a favor do Brexit.
Correta: resume a atuação da Cambridge Analytica nas campanhas de 2016, incluindo Ted Cruz, Trump e o Brexit.
- B)No Egito destacaram-se técnicas de resistência civil em campanhas sustentadas, envolvendo recursos como Facebook, Twitter e Youtube. Preocupado com as manifestações, o governo egípcio suspendeu a internet e a telefonia móvel.
Errada: descreve os protestos no Egito e a repressão com corte de internet, fato ligado à Primavera Árabe, não ao caso da Cambridge Analytica.
- C)No comando da empresa estava o britânico Alexander Nix, que dirigiu em seu país a consultora sobre mercadologia de comportamentos Strategic Communication Laboratories (SLC) e depois voltou seus olhos ao lucrativo mercado das campanhas políticas norte-americanas. Nix chegou a Mercer através de Stephen Bannon que também se integrou como membro e investidor da nova empresa criada por Nix nos Estados Unidos.
Correta: identifica Alexander Nix e sua ligação com a Strategic Communication Laboratories e com o mercado político norte-americano.
- D)A Cambridge Analytica conseguiu os dados através de um psicólogo da Universidade de Cambridge – com a qual a empresa, de mesmo nome, não tem relação. O psicólogo conseguiu permissão do Facebook para pedir dados aos seus usuários com um aplicativo pensado para estudos de sua disciplina. Financiado pela Cambridge Analytica, conseguiu dados de 270.000 pessoas com perfis na rede social; o aplicativo lhe permitiu acessar a informação dos amigos dos participantes originais, multiplicando até 50 milhões de usuários o alcance de seu armazenamento.
Correta: descreve o uso de um aplicativo de pesquisa para coletar dados do Facebook de forma indevida, núcleo do escândalo.
Gabarito: B
A questão gira em torno do escândalo da Cambridge Analytica, empresa ligada a estratégias de marketing político e uso de dados pessoais para influenciar campanhas eleitorais. O caso ganhou enorme repercussão porque mostrou como informações coletadas em rede social podem ser usadas para direcionar propaganda e manipular o comportamento do eleitor. É um tema clássico de Atualidades de 2014 para frente, mas que estourou publicamente depois, com investigações e denúncias sobre o uso indevido de dados do Facebook. A lógica da questão é pedir a alternativa EXCETO, ou seja, a única afirmação que não corresponde ao fato histórico cobrado. A letra B fala de protestos no Egito com uso de Facebook, Twitter e YouTube e da reação do governo suspendendo internet e telefonia móvel. Isso remete à Primavera Árabe, especialmente aos protestos de 2011, e não ao caso da Cambridge Analytica. Por isso, é a alternativa errada dentro do contexto do enunciado. As demais alternativas descrevem elementos associados ao caso: Alexander Nix, a atuação em campanhas eleitorais, a conexão com Steve Bannon e a obtenção de dados por meio de aplicativo de pesquisa acadêmica. Em resumo: a banca misturou fatos de um escândalo de dados com um episódio político distinto do Egito para ver se você caía no conto do "parece tudo atualidade, então deve ser certo". Não caia nessa. Como pano de fundo, vale lembrar que o debate sobre proteção de dados e privacidade ganhou força mundial justamente porque mostrou o poder político da coleta massiva de informações pessoais. Hoje isso conversa diretamente com temas de democracia, propaganda digital e uso responsável de tecnologia.