As mudanças climáticas provocadas pela ação antrópica geram impactos sobre os biomas em escala global. Os modelos climáticos estimam que, até o ano de 2050, as temperaturas na Amazônia aumentarão em 2 °C a 3 °C. Internet:www.wwf.org.br(com adaptações). Tendo como referência o assunto abordado no texto anterior, assinale a opção correta a respeito das mudanças climáticas na Amazônia.
- A)Os modelos climáticos indicam que o aumento do desmatamento provocará o aumento das temperaturas e alterações nos padrões de pluviosidade.
Certa: o desmatamento eleva temperaturas locais e altera a distribuição das chuvas ao reduzir a evapotranspiração e a reciclagem de umidade.
- B)A savanização da Amazônia em decorrência das mudanças climáticas é vantajosa na medida em que garante condições propícias para a expansão agropecuária e a construção de usinas hidrelétricas.
Errada: a savanização é vista como perda ambiental e risco climático, não como vantagem para agropecuária e hidrelétricas.
- C)O atual nível de desmatamento ainda não afetou os padrões climáticos amazônicos.
Errada: o desmatamento já afeta os padrões climáticos amazônicos, inclusive temperatura e precipitação.
- D)O aumento das temperaturas intensificará o regime pluvial da Amazônia, pois, quanto mais calor, maior a umidade desse bioma.
Errada: mais calor não significa, necessariamente, mais chuva; na Amazônia, o aquecimento pode intensificar secas e irregularidade pluviométrica.
- E)Os fenômenos climáticos de aquecimento e esfriamento das águas do Oceano Pacífico não serão afetados pelas mudanças climáticas na Amazônia, pois são fenômenos naturais.
Errada: fenômenos como El Niño e La Niña podem ser influenciados pelo sistema climático global, que também sofre impactos das mudanças climáticas.
Gabarito: A
As mudanças climáticas na Amazônia não são um problema distante nem abstrato: elas mexem com a temperatura, com a chuva e com a própria dinâmica do bioma. Quando se soma aquecimento global com desmatamento, a floresta perde capacidade de reciclar umidade, o solo fica mais exposto e o regime de chuvas tende a ficar mais irregular. É por isso que a Amazônia não reage ao clima como um sistema isolado e “blindado”; ela sente tanto o aquecimento quanto a pressão da derrubada da vegetação. A alternativa correta é a letra A porque ela traduz exatamente essa relação: mais desmatamento favorece aumento de temperatura local e mudanças nos padrões de pluviosidade. A floresta funciona como uma grande bomba de umidade, liberando vapor d'água pela evapotranspiração. Quando essa cobertura é reduzida, cai a umidade reciclada e o clima regional tende a ficar mais quente e menos estável. Esse é um ponto muito explorado pela literatura científica e por relatórios de organismos como o IPCC e o INPE. Vale lembrar que isso também se conecta à ideia de “ponto de não retorno” ou savanização, muito discutida na doutrina ambiental e em estudos climáticos: se o desmatamento e a degradação avançarem demais, a Amazônia pode perder parte da sua capacidade de manter o regime úmido típico de floresta. Ou seja, não é só “derrubar árvore”; é mexer no motor climático da região. Em resumo: aquecimento global e desmatamento conversam entre si, e a Amazônia é uma das áreas mais sensíveis a essa combinação. Em prova, sempre desconfie de alternativas que tratam a floresta como se ela não influenciasse o clima ou como se mais calor automaticamente significasse mais chuva em qualquer contexto.