Um edifício de planta retangular, a ser executado em estruturas lineares em concreto armado, formadas por pilares e vigas, com lajes maciças, será constituído por uma malha regular de pilares e vigas, formada por quatro eixos de pilares e vigas no sentido transversal e três eixos de pilares e vigas no sentido transversal – uma malha de quatro por três pilares, situados nas intersecções entre eixos, com as vigas, vencendo o vão entre pilares e dando apoio a panos de laje. Na concepção estrutural dessa edificação, é adequado que as vigas sejam
- A)separadas em trechos biapoiados, porque essas estruturas isostáticas apresentam menores momentos máximos do que as vigas biapoiadas, hiperestáticas.
Errada: vigas biapoiadas são isostáticas, mas não apresentam menores momentos máximos do que vigas biapoiadas hiperestáticas, porque a formulação já está incoerente.
- B)separadas em trechos biapoiados, porque essas estruturas isostáticas apresentam menores momentos máximos que as vigas biapoiadas, hiperestáticas.
Errada: repete a ideia de vigas biapoiadas isostáticas com comparação invertida e sem sentido técnico correto entre isostasia e hiperestaticidade.
- C)engastadas em grelha tridimensional, formando estruturas isostáticas que apresentam menores momentos máximos que as vigas biapoiadas e que as contínuas, ambas hiperestáticas.
Errada: grelha tridimensional não é a descrição adequada para esse caso de vigas e lajes em malha regular, e a afirmação sobre momentos também está conceitualmente incorreta.
- D)contínuas, formando estruturas hiperestáticas que apresentam menores momentos máximos que as vigas biapoiadas, isostáticas.
Certa: vigas contínuas são hiperestáticas e tendem a apresentar menores momentos máximos do que vigas biapoiadas isostáticas, exatamente como pede o enunciado.
- E)contínuas, formando estruturas isostáticas que apresentam menores momentos máximos que as vigas biapoiadas, hiperestáticas.
Errada: vigas contínuas não são isostáticas; a continuidade torna a estrutura hiperestática, embora realmente reduza momentos máximos.
Gabarito: D
Em edifícios com estrutura em concreto armado, quando você tem pilares alinhados em malha regular e vigas apoiando lajes maciças, a solução mais comum e eficiente é trabalhar com vigas contínuas. Isso porque, ao atravessarem vários apoios, elas deixam de se comportar como peças simples de um vão só e passam a redistribuir esforços entre os trechos. Na prática, essa continuidade ajuda a “espalhar” os momentos fletores, reduzindo os valores máximos em comparação com vigas biapoiadas isoladas. Esse é o ponto-chave da questão: a viga contínua é uma estrutura hiperestática, porque tem vínculos e redundâncias internas maiores do que o mínimo necessário para equilíbrio. Essa hiperestaticidade não é um defeito; muitas vezes ela é vantajosa, pois melhora o comportamento estrutural e pode diminuir flechas e momentos máximos, desde que o projeto considere bem os apoios e as ligações. Já as vigas biapoiadas são isostáticas, ou seja, mais simples de calcular e com comportamento mais direto, mas concentram mais momento no meio do vão. Em uma malha regular de pilares, separar tudo em trechos biapoiados costuma desperdiçar a vantagem estrutural da continuidade e ainda gerar esforços mais elevados. Por isso, no caso descrito, a solução adequada é adotar vigas contínuas, que apresentam menores momentos máximos do que vigas biapoiadas. Em resumo: continuidade estrutural aqui significa eficiência. A banca quer que você associe "viga contínua" a "hiperestática" e a "menores momentos máximos". É o trio que mata a questão.