As manifestações patológicas nas construções podem ser representadas desde uma redução no valor do imóvel até a necessidade de intervenções estruturais severas. A respeito das patologias comumente observadas nas edificações, podemos afirmar que: I. cobrimento da armadura em uma peça de concreto armado tem como função coibir processos deletérios no aço e deve ser dimensionado considerando a agressividade do ambiente em que a peça está inserida; II. ocorrência de trincas e fissuras nas quinas de aberturas de portas e janelas pode indicar ausência de vergas e contravergas; III. utilização de metal de sacrifício é uma técnica que pode ser empregada para se evitar a corrosão de estruturas metálicas; IV. ação deletéria de micro e macro-organismos nas madeiras pode ser retardada com processos de tratamento que preenchem os vazios das peças com fluidos preservativos. É correto o que se afirma em
- A)II, III e IV apenas.
Errada, porque os itens I e II também estão corretos, então não se pode excluir essas afirmações.
- B)I, II e III apenas.
Errada, porque o item IV também está correto, além de I, II e III.
- C)I, II e IV apenas.
Errada, porque o item III também está correto, além de I, II e IV.
- D)I, III e IV apenas.
Errada, porque o item II também está correto, além de I, III e IV.
- E)I, II, III e IV.
Certa, porque todas as afirmações I, II, III e IV estão tecnicamente corretas.
Gabarito: E
Quando a banca fala em patologias das construções, ela está cobrando aquele combo clássico: durabilidade, fissuração, corrosão e ataque biológico. Na prática, quase toda “doença” da obra nasce de um erro de projeto, execução, manutenção ou da escolha inadequada de materiais e proteção. Aqui, a ideia central é entender que cada elemento de proteção existe para evitar uma degradação específica, e a leitura da questão mostra isso direitinho. No item I, o cobrimento da armadura não está ali por enfeite: ele protege o aço contra a ação do meio, especialmente umidade e agentes agressivos, e deve ser dimensionado conforme a classe de agressividade ambiental. Isso é totalmente compatível com a lógica da ABNT NBR 6118, que trata do cobrimento mínimo e da durabilidade das estruturas de concreto armado. No item II, trincas nas quinas de portas e janelas são um sinal bem conhecido de falta de verga e contraverga, porque essas peças ajudam a redistribuir tensões ao redor dos vãos. Sem elas, a alvenaria concentra esforços nos cantos e acaba fissurando exatamente onde a banca gosta de “pegar no pulo”. No item III, o metal de sacrifício é mesmo uma técnica de proteção contra corrosão, como ocorre na proteção catódica com ânodos de sacrifício. Já no item IV, a madeira pode ser protegida por tratamentos preservativos que penetram seus vazios e dificultam a ação de fungos, cupins e outros organismos. Por isso, o gabarito E está correto: os quatro enunciados descrevem medidas ou indícios tecnicamente válidos.