Assinale a opção que apresenta a peculiaridade dos projetos elaborados por Roberto Burle Marx, que teve papel relevante na construção da arquitetura paisagística nacional.
- A)Incorporação total da velha ordem do ecletismo.
Errada, porque Burle Marx não se limitava à velha ordem do ecletismo, mas justamente renovou a linguagem do paisagismo brasileiro.
- B)Intercalação equilibrada entre vegetações de origem europeia e da flora nativa.
Errada, pois sua obra valorizava sobretudo a flora nativa e a identidade brasileira, não um equilíbrio entre vegetações europeias e nativas como princípio central.
- C)Liberdade de trabalho na composição dos espaços, ora orgânicos ora geometrizados.
Certa, porque Burle Marx tinha liberdade compositiva para empregar formas orgânicas ou geométricas conforme a solução espacial desejada.
- D)Distribuição fluida dos passeios pavimentados sem direcionamento do caminhante.
Errada, porque seus passeios e percursos eram pensados com intenção plástica e direção espacial, e não como uma distribuição sem orientação ao caminhante.
- E)Exclusão de elementos compostos por água para evitar a contaminação ambiental dos espaços.
Errada, pois Burle Marx frequentemente utilizou água em seus projetos, inclusive em espelhos d'água e lagos, como elemento paisagístico.
Gabarito: C
Roberto Burle Marx foi decisivo para a paisagística brasileira porque rompeu com a ideia de jardim apenas decorativo e importado, valorizando a flora nativa, a composição plástica e a integração com a arquitetura. Nos seus projetos, o paisagismo não era um simples preenchimento do terreno: ele desenhava o espaço como quem compõe uma obra de arte, com ritmo, contraste e movimento. Uma marca muito forte da sua obra foi a liberdade formal. Burle Marx alternava composições orgânicas e geométricas conforme a necessidade do projeto, sem ficar preso a um único molde. Ele podia usar curvas fluidas em um lugar e desenhos mais rigorosos em outro, sempre buscando unidade visual e espacial. Por isso, o gabarito é a letra C. A alternativa descreve exatamente essa característica: liberdade de trabalho na composição dos espaços, ora orgânicos ora geometrizados. Essa flexibilidade é uma síntese fiel da linguagem de Burle Marx, que conciliava arte, função e paisagem com muita inventividade. As demais opções tentam puxar o tema para ecletismo, jardins europeus ou soluções sem direção, mas isso não combina com a renovação modernista que ele representa na arquitetura paisagística nacional. Em provas, a banca costuma cobrar esse contraste entre o paisagismo tradicional e a abordagem criativa, abstrata e brasileira de Burle Marx.