O movimento Neocolonial, cujo maior incentivador foi José Mariano Filho, teve maior amplitude no Rio de Janeiro que em São Paulo. Assinale a opção que apresenta uma característica desse movimento.
- A)O emprego de materiais que simulavam o ferro e a madeira.
Errada: o Neocolonial não se define pelo uso de materiais que simulam ferro e madeira, mas pela releitura de formas históricas brasileiras.
- B)A adoção de uma linguagem internacional e universal.
Errada: a adoção de uma linguagem internacional e universal é típica de correntes modernistas, não do Neocolonial.
- C)As influências calcadas nas formas Art Déco.
Errada: as influências Art Déco pertencem a outra linguagem arquitetônica, posterior e com outra lógica formal.
- D)A busca de uma arquitetura de raízes nacionais.
Certa: o Neocolonial buscava uma arquitetura de raízes nacionais, inspirada na tradição colonial brasileira.
- E)A reação contrária a formas de decorativismo brasileiro.
Errada: o movimento não era uma reação contrária ao decorativismo brasileiro, mas uma valorização seletiva de referências históricas nacionais.
Gabarito: D
O Neocolonial foi um movimento de resgate e releitura da arquitetura ligada à tradição luso-brasileira, especialmente em um momento em que muitos arquitetos buscavam afirmar uma identidade nacional. Em vez de copiar modelos estrangeiros da moda, a proposta era olhar para o passado colonial e para elementos considerados mais “brasileiros”, como fachadas simples, telhados aparentes, azulejaria, beirais e certo repertório histórico adaptado ao gosto do início do século XX. José Mariano Filho foi um dos grandes defensores dessa vertente, sobretudo no Rio de Janeiro, onde o debate sobre identidade arquitetônica ganhou força. O movimento não era uma rejeição pura e simples ao moderno, mas uma tentativa de construir uma arquitetura com raízes locais, quase como dizer: “vamos parar de importar tudo e ver o que nossa própria história tem a oferecer”. Por isso, o gabarito é a letra D. A característica central do Neocolonial é justamente a busca de uma arquitetura de raízes nacionais, com valorização da tradição colonial brasileira como fonte de inspiração. Em termos doutrinários, o movimento se encaixa nessa ideia de nacionalismo arquitetônico, tão presente nas discussões culturais do período. As demais alternativas apontam para outros caminhos: industrialização de materiais, internacionalismo, Art Déco ou rejeição ao decorativismo brasileiro, que não são a marca do Neocolonial. Aqui, a palavra-chave é identidade: o movimento queria parecer brasileiro antes de querer parecer moderno.