A ideia do patrimônio, surgida da preocupação com a salvaguarda dos vestígios do passado, foi longamente discutida entre alguns intelectuais a partir de suas concepções sobre arte, história, tradição e nação. Estes intelectuais, que assumiram a implantação de um serviço destinado a proteger obras de arte e o legado histórico do país, distinguiam-se como
- A)academicistas.
Errada: academicistas remete a um gosto mais ligado à academia e ao formalismo, não ao grupo intelectual que estruturou a política de preservação do patrimônio.
- B)classicistas.
Errada: classicistas valorizam os modelos clássicos e a tradição artística clássica, mas não identificam o grupo modernista que criou a base institucional da proteção patrimonial.
- C)modernistas.
Certa: os intelectuais citados eram modernistas e participaram da formulação e implantação da política de proteção ao patrimônio histórico e artístico no Brasil.
- D)nacionalistas.
Errada: embora houvesse preocupação com a identidade do país, o termo nacionalistas é amplo demais e não nomeia com precisão o grupo intelectual referido no enunciado.
- E)tradicionalistas.
Errada: tradicionalistas valorizam a tradição, mas o enunciado aponta para intelectuais ligados ao modernismo, que institucionalizaram a preservação do patrimônio.
Gabarito: C
A noção de patrimônio cultural no Brasil ganhou força quando alguns intelectuais passaram a defender que o Estado deveria proteger os vestígios do passado como parte da identidade nacional. Essa discussão envolvia arte, história, tradição e nação, e não era só nostalgia: era um projeto de construção do país por meio da memória. No plano institucional, isso se consolidou com a criação do SPHAN, em 1937, no governo Vargas, depois transformado no IPHAN. A proposta de proteger obras de arte e o legado histórico foi conduzida por intelectuais ligados ao modernismo, especialmente Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco de Andrade, que entenderam que modernidade não significa apagar o passado, mas reconhecê-lo e preservá-lo. Por isso o gabarito é a alternativa C. Esses intelectuais eram modernistas porque vinham do movimento que renovou a cultura brasileira, mas, ao mesmo tempo, valorizavam o patrimônio como elemento de identidade nacional. Em outras palavras: modernistas, sim, porém sem jogar a história fora pela janela. A doutrina do patrimônio no Brasil nasce justamente dessa tensão entre ruptura e preservação, algo muito característico do modernismo brasileiro, que buscava construir uma identidade nacional própria a partir da cultura, da arte e da memória histórica.