Na década de 1960, o arquiteto Severiano Mário Porto transferiu suas atividades profissionais do escritório localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, para estender suas propostas arquitetônicas à Região Amazônica. Assinale a opção que apresenta uma característica marcante da arquitetura de Severiano a partir dessa década.
- A)Ênfase no uso do concreto aparente em seu estado bruto, agregando à estrutura expressão formal.
Errada, porque Severiano não é lembrado principalmente pelo concreto aparente bruto como expressão formal, mas pela adequação ao contexto amazônico.
- B)Articulação entre criatividade, tecnologia e a natureza e as tradições regionais.
Certa, porque sintetiza a marca da obra de Severiano na Amazônia: criatividade, tecnologia e diálogo com a natureza e as tradições regionais.
- C)Emprego de formas pesadas estruturais em concreto protendido com ausência de nuances.
Errada, pois a descrição remete a uma linguagem pesada e genérica do concreto protendido, que não caracteriza de modo central sua produção amazônica.
- D)Integração entre peças pré-moldadas em concreto armado de grande porte e a simplicidade de materiais da flora nativa.
Errada, porque exagera a ideia de pré-moldados em grande porte e não traduz bem a essência da obra de Severiano, que valoriza adaptação local e soluções climáticas.
- E)Conjunção entre estrutura metálica em treliças espaciais e vedação em blocos de concreto executados no local.
Errada, já que a imagem de estrutura metálica em treliças espaciais e vedação em blocos não corresponde à característica marcante associada ao arquiteto nesse recorte.
Gabarito: B
Severiano Mário Porto ficou muito ligado à Amazônia a partir dos anos 1960 e seu trabalho passou a dialogar de verdade com o lugar, não só com a estética da moda. Em vez de impor uma arquitetura “de fora”, ele buscava soluções compatíveis com o clima quente e úmido, com a logística difícil da região e com os saberes construtivos locais. Isso inclui uso inteligente de madeira, ventilação, sombreamento e uma preocupação forte com a adaptação ao ambiente. O ponto central é que a arquitetura dele não era apenas técnica nem apenas “regionalista” no sentido folclórico. Ele juntava criatividade, tecnologia e leitura cuidadosa da natureza e das tradições da região, criando obras que parecem nascidas do lugar. Essa postura aparece muito em projetos na Amazônia, em que a forma arquitetônica responde ao meio e ao modo de construir local. Por isso, a alternativa B é a correta: ela resume exatamente a marca mais conhecida da produção de Severiano Mário Porto nesse período, que é a articulação entre inovação e respeito ao contexto amazônico. Em prova, quando a banca fala em Severiano e Amazônia, pense em arquitetura de adaptação, não em um brutalismo genérico de concreto ou em uma solução importada sem conversa com o território. Em termos doutrinários, o tema se encaixa bem na ideia de arquitetura regionalista contemporânea, com forte atenção ao clima, ao material e à cultura construtiva local, algo muito associado à produção dele.