A filósofa e historiadora do urbanismo, Françoise Choay (1925- 2025), notabilizou-se pela contribuição para o campo do patrimônio. Entre outros temas, ela debateu a ideia de memória e sua relação com a evolução das cidades. Assinale a opção que explicita uma das obras mais conhecidas da autora, onde são abordados os conceitos de monumento e de monumento histórico.
- A)A retórica da perda.
Errada, porque A retórica da perda não é a obra clássica de Choay sobre os conceitos de monumento e monumento histórico.
- B)História da Arte como História da Cidade.
Errada, porque História da Arte como História da Cidade não é a referência central da autora para essa discussão específica.
- C)A alegoria do patrimônio.
Certa, pois A alegoria do patrimônio é a obra em que Choay aborda diretamente patrimônio, memória, monumento e monumento histórico.
- D)História crítica da Arquitetura Moderna.
Errada, porque História crítica da Arquitetura Moderna não é o livro em que Choay desenvolve esses conceitos patrimoniais.
- E)O culto moderno dos monumentos.
Errada, porque O culto moderno dos monumentos é obra de Alois Riegl, autor importante para o tema, mas não de Françoise Choay.
Gabarito: C
Françoise Choay é uma referência quando o assunto é patrimônio, porque ela conseguiu traduzir em linguagem clara a passagem da cidade vista como espaço vivido para a cidade vista como objeto de preservação. Na obra mais conhecida sobre o tema, ela discute justamente a diferença entre monumento e monumento histórico, mostrando como a memória coletiva se liga à construção de valor patrimonial. Em termos simples, o monumento nasce ligado à lembrança e à função simbólica: ele existe para fazer você recordar algo, alguém ou um fato. Já o monumento histórico é uma criação mais tardia, típica da sensibilidade moderna, quando se passa a reconhecer certos edifícios e objetos urbanos como documentos do passado, mesmo que não tenham sido feitos originalmente para “ser memória”. Por isso, o gabarito é a letra C. A alegoria do patrimônio é a obra em que Choay trata de forma central essas noções, analisando como a sociedade moderna transforma o passado em objeto de conservação, seleção e interpretação. É uma leitura clássica para entender por que nem tudo que é antigo vira patrimônio, e por que patrimônio não é só idade, mas também valor cultural atribuído. Em concurso, a FGV costuma cobrar esse tipo de associação direta entre autora e obra, além do conceito. Se você lembrar de Choay, pense logo em patrimônio, memória, monumento e monumento histórico - esse quarteto aparece muito em provas da área.