No início da década de 1970, o fim do crescimento econômico causado pela crise petrolífera condicionou os programas urbanísticos. Sobre o uso e ocupação territorial deflagrado a partir daquele período, avalie se as afirmativas a seguir são falsas (F) ou verdadeiras (V). ( ) O planejamento urbano deslocou-se da escala do bairro e do lugar para a escala regional das unidades de vizinhança por adaptar-se a qualquer plano urbanístico. ( ) A necessidade de reabilitação dos bairros, evidenciada pela maior operacionalidade e resultados imediatos, levou ao questionamento do controle da cidade por Planos Diretores. ( ) Os espaços livres e intersticiais aos edifícios foram indiscriminadamente adotados, por seu abundante uso público e sua pouca necessidade de manutenção. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – F – V.
Errada, porque a primeira e a terceira afirmativas são falsas, não verdadeiras.
- B)V – V – F.
Errada, porque a primeira afirmativa não é verdadeira e a terceira também é falsa.
- C)F – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa é falsa; só a segunda está correta.
- D)F – V – F.
Certa, porque a sequência das afirmativas é F - V - F.
- E)V – F – F.
Errada, porque a primeira afirmativa é falsa e a terceira também não se sustenta.
Gabarito: D
No início dos anos 1970, a crise do petróleo e o fim do ciclo de crescimento acelerado mudaram bastante a agenda urbana. A prioridade deixou de ser o grande plano abstrato, pensado de cima para baixo, e passou a valorizar intervenções mais concretas, ligadas à reabilitação de áreas já consolidadas, sobretudo bairros e centros urbanos. Em vez de apostar em soluções genéricas para toda a cidade, ganhou força a ideia de agir onde o problema era mais visível e o resultado, mais rápido. Por isso, a primeira afirmativa é falsa: o planejamento não se desloca do bairro para uma escala regional de unidades de vizinhança "por adaptar-se a qualquer plano urbanístico". Na prática, ocorreu justamente uma maior atenção à escala local e às operações urbanas pontuais, e não uma fuga para fórmulas universais. A segunda é verdadeira, porque a reabilitação dos bairros passou a ser vista como mais eficiente e menos burocrática, alimentando críticas ao modelo centralizador dos Planos Diretores como instrumento único de controle da cidade. A terceira também é falsa. Os espaços livres e intersticiais não foram adotados indiscriminadamente como solução padrão, até porque a preocupação com manutenção, uso social efetivo e qualidade urbana impedia esse tipo de generalização. Assim, a sequência correta é F - V - F, que corresponde à alternativa D. Em termos doutrinários, essa virada combina bem com a crítica ao urbanismo excessivamente normativo e com a valorização de intervenções de requalificação urbana, muito associadas à década de 1970 e ao debate pós-crise. Ou seja: menos discurso grandioso, mais obra concreta e resultado aparecendo no bairro.