Nas perícias na construção civil, necessárias à elaboração de pareceres técnicos, a qualidade do trabalho pericial deve estar assegurada quanto à:
- A)análise dos danos e/ou eventos encontrados, apontando as prováveis causas e consequências;
Certa, porque a qualidade da perícia depende justamente de analisar os danos e eventos, apontando causas prováveis e consequências técnicas.
- B)inclusão de um número reduzido de fotografias, garantindo uma visão global do bem periciado;
Errada, porque poucas fotografias não garantem visão global e a documentação visual deve ser suficiente e coerente com a necessidade de comprovação.
- C)apresentação de plantas gerais dos bens, que devem ser obtidas exclusivamente sob a forma convencional de desenho técnico;
Errada, porque plantas gerais podem ser úteis, mas não são obrigatoriamente obtidas só por desenho convencional, nem definem a qualidade da perícia.
- D)descrição detalhada dos bens restrita a seus aspectos físicos, independentemente de seu caráter funcional;
Errada, porque a descrição pericial não deve ficar restrita ao aspecto físico, já que a análise funcional também pode ser essencial.
- E)juntada de estimativa de custos, com comprovante de ensaios laboratoriais em todos e quaisquer casos.
Errada, porque estimativa de custos e ensaios laboratoriais não são exigidos em todos os casos e não representam, sozinhos, a qualidade do trabalho pericial.
Gabarito: A
Em perícias na construção civil, a qualidade do trabalho pericial não depende de encher o laudo de enfeites, mas de conseguir analisar corretamente o que foi encontrado e explicar o que isso significa. Em termos práticos, o perito precisa examinar os danos, identificar os eventos relacionados, apontar as causas prováveis e indicar as consequências técnicas observáveis. É isso que dá utilidade ao parecer e o transforma em prova técnica consistente. Na rotina pericial, o laudo deve ser claro, objetivo e bem fundamentado. A análise não fica só no "tem fissura" ou "tem umidade": ela avança para o "por que ocorreu", "como ocorreu" e "o que pode gerar daqui para frente". Essa lógica é compatível com a boa prática pericial prevista na engenharia de avaliações e nas normas técnicas aplicáveis, como as da ABNT voltadas a perícias de engenharia. Por isso, a alternativa A está correta: ela traduz exatamente o núcleo da qualidade pericial, que é a análise técnica dos danos e dos eventos, com indicação das causas e consequências. Sem isso, o parecer até pode ter fotos e medições, mas fica fraco como conclusão técnica. As demais alternativas tentam confundir você com acessórios do laudo, como fotografias, plantas, descrição física e custos, mas nada disso substitui a análise pericial bem feita. Em prova, desconfie sempre de resposta que pareça “caprichada demais” e esqueça o essencial: diagnóstico técnico com causa e efeito.