O arquiteto Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto, mineiro de Uberlândia, graduou-se em 1954 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, mas escolheu o Estado do Amazonas para realizar suas experimentações e produções arquitetônicas. A partir de comentários críticos sobre a arquitetura de Severiano Porto, aponte características desta arquitetura.
- A)Criação de novas formas, que caracterizam outra modernidade da arquitetura, socialmente e culturalmente ambientadas.
Correta, porque resume a arquitetura de Severiano Porto como uma modernidade criada a partir do contexto social, cultural e ambiental amazônico.
- B)Vocabulário brasileiro, com uso adequado dos materiais, que respeita o meio ambiente e refuta a técnica contemporânea.
Errada, porque ele não refuta a técnica contemporânea; ao contrário, combina técnica moderna com adaptação ao meio e aos materiais locais.
- C)Integração material / linguagem/ criatividade/ resultado com domínio de tecnologias de ponta e uma linguagem vinculada à estereótipos.
Errada, porque fala em domínio de tecnologias de ponta e em linguagem ligada a estereótipos, o que não caracteriza a obra de Severiano Porto.
- D)Simplicidade, que transcende as origens e tradições locais para afirmar a internacionalidade da arquitetura.
Errada, porque sua arquitetura não busca apagar as origens locais em nome de uma suposta internacionalidade, mas valorizar a identidade do lugar.
- E)Ênfase no funcionalismo de construções anônimas em concreto rústico, que marca todas as regiões brasileiras.
Errada, porque não se trata de uma produção anônima e uniforme em concreto rústico, mas de soluções autorais, sensíveis ao clima e à cultura regional.
Gabarito: A
Severiano Porto é um nome central quando se fala em arquitetura no Amazonas porque ele não tentou “copiar” um modelo pronto de outras regiões. A marca do trabalho dele está justamente em criar uma arquitetura muito ligada ao lugar: clima quente e úmido, materiais disponíveis, cultura local e modo de vida amazônico. Em vez de impor uma forma genérica, ele buscava soluções que respondessem ao ambiente e ao contexto social. Na prática, isso aparece em projetos que valorizam ventilação, sombreamento, leveza estrutural e uso inteligente de madeira e outros materiais regionais. Ou seja, a arquitetura dele não é só bonita na foto: ela funciona bem no território em que está inserida. Esse olhar faz a obra dele ser lembrada como uma modernidade “outra”, menos padronizada e mais sensível ao lugar. É por isso que o gabarito é a alternativa A. Ela descreve exatamente essa produção que cria novas formas arquitetônicas, mas sem romper com o ambiente social e cultural onde elas surgem. Em linguagem de concurso: Severiano Porto não faz uma arquitetura importada de prateleira, e sim uma arquitetura moderna enraizada na Amazônia. Se quiser guardar uma palavra-chave, pense em “regionalismo crítico” ou “modernidade contextual”. Não é uma lei, claro, mas é uma boa chave doutrinária para entender o sentido dessa produção.