O Plano Urbanístico da cidade de Goiânia, concebido na década de 1930 pelo arquiteto Attílio Correa Lima, consolidaria a cidade como lugar moderno a partir de 1950. Em relação ao tema, assinale a afirmativa correta
- A)Apesar do falecimento de Correa Lima em plena implantação urbanística, o plano inicial foi respeitado, mantendo o jardim central em cruz por ser elemento importante de seu traçado.
Errada, porque o traçado de Goiânia não se resume a um jardim central em cruz mantido integralmente, e a história da implantação urbana foi mais complexa do que essa descrição sugere.
- B)A cidade prevista era linear, com significado essencialmente monumental do eixo leste-oeste, o que implicava uma definição irreversível.
Errada, porque o plano não era linear com eixo leste-oeste de sentido essencialmente monumental e irreversível; essa caracterização não corresponde ao desenho urbanístico de Corrêa Lima.
- C)As funções principais setorizadas e absoluta excluíram a flexibilidade de suas respectivas articulações, em todas as direções.
Errada, porque a setorização não eliminava toda flexibilidade de articulação entre funções urbanas, e o plano não propunha uma separação absoluta e rígida em todas as direções.
- D)O plano explorava ao máximo a topografia, tanto no sentido prático quanto no sentido estético, evitando o risco de enchentes pelas chuvas tropicais na região.
Certa, porque o plano buscava aproveitar a topografia do sítio urbano, tanto para qualificar a forma da cidade quanto para lidar melhor com a drenagem e o risco de enchentes.
- E)A disciplina do trânsito, preocupação de Correa Lima, foi alcançada pela proximidade do centro político-administrativo, do centro comercial e da zona residencial, que permitiu manter constante a circulação densa entre essas áreas.
Errada, porque a disciplina do trânsito não dependia de uma proximidade indiferenciada e de circulação densa constante entre os setores, mas de uma organização urbana mais racional e hierarquizada.
Gabarito: D
O plano de Goiânia, elaborado por Attílio Corrêa Lima nos anos 1930, é um bom exemplo de urbanismo moderno pensado para ordenar o crescimento da cidade com base em circulação, setorização e relação entre forma urbana e relevo. A ideia não era só desenhar ruas bonitas no papel, mas fazer a cidade funcionar bem no cotidiano, evitando improviso e os problemas típicos de expansão descontrolada. Nessa lógica, a topografia tinha papel importante. Corrêa Lima procurou aproveitar as condições naturais do terreno para organizar o traçado urbano de modo prático e também visual, tirando partido das cotas e declividades. Isso ajudava a dar identidade ao conjunto e, ao mesmo tempo, a enfrentar um problema bem real em cidades de clima tropical: o escoamento das águas e o risco de alagamentos. Por isso, o gabarito está na letra D. A proposta urbanística explorava a topografia tanto no sentido funcional quanto no estético, e essa preocupação era coerente com um urbanismo técnico, voltado ao conforto urbano e à prevenção de enchentes provocadas pelas chuvas intensas da região. Em outras palavras: não era só beleza, era urbanismo com chapéu de engenheiro e olho no clima. As demais alternativas exageram, simplificam ou distorcem o plano, como se ele fosse rígido demais, linear demais ou dependente de uma organização que não corresponde à proposta de Corrêa Lima. Em prova da FGV, vale desconfiar quando a alternativa fala em absolutização, irreversibilidade ou solução única e fechada: quase sempre tem algo aí para derrubar.