Para se alcançar bom nível de conforto ambiental no clima tropical úmido encontrado no litoral Atlântico brasileiro, incluindo o do Estado da Paraíba, há estratégias de projeto que promovem conforto térmico, acústico e lumínico. Assinale a opção que indica uma destas estratégias projetuais.
- A)Para promover o uso da iluminação natural devem ser estudadas aberturas que permitam a entrada de luz e, ao mesmo tempo, da radiação solar direta.
Errada, porque abrir luz natural com entrada de radiação solar direta piora o ganho de calor, especialmente no clima quente e úmido.
- B)Para remover a umidade em excesso deve-se promover o movimento e a renovação do ar, durante o período, no qual as pessoas ainda não estejam ocupando o ambiente.
Errada, porque ventilação ajuda a remover umidade, mas o enunciado não trata de uma estratégia clara de conforto integrada e ainda restringe indevidamente ao período sem ocupação.
- C)Para controlar os ganhos de calor deve-se minimizar a energia solar absorvida pelas paredes externas e maximizar a que entra pelas aberturas.
Errada, porque minimizar calor pelas paredes é correto, mas maximizar entrada solar pelas aberturas contradiz a meta de controle térmico no clima quente.
- D)Para conter o nível de ruído deve-se dispor elementos que dificultem sua transmissão para os ruídos provindos de fontes localizadas no próprio edifício e que estimulem a reverberação dos ruídos gerados fora dele.
Errada, porque o enunciado inverte a lógica do isolamento acústico, já que o correto é dificultar a transmissão dos ruídos gerados dentro do edifício e reduzir a reverberação interna.
- E)Para promover proteção solar, a forma do edifício deve ser tal que as paredes prioritariamente voltadas para E e O possuam áreas menores do que as fachadas N e S.
Certa, porque reduzir as áreas voltadas para Leste e Oeste diminui a incidência solar mais crítica e melhora a proteção térmica da edificação.
Gabarito: E
No clima tropical úmido, o projeto precisa ajudar o ambiente a perder calor e umidade, mas sem transformar a casa numa estufa nem num chiqueiro de ventilação. Em geral, isso significa buscar sombreamento, ventilação cruzada, proteção das aberturas e atenção à orientação solar do edifício. A lógica do tema é bem direta: no litoral Atlântico brasileiro, o sol forte da manhã e, principalmente, da tarde castiga as fachadas. Por isso, as superfícies mais expostas costumam ser as voltadas para Leste e Oeste, que recebem radiação solar mais agressiva em muitas situações. Já as fachadas Norte e Sul, em regra, são mais fáceis de controlar com recursos de sombreamento. É exatamente isso que a alternativa E propõe: reduzir a área das paredes voltadas para E e O e privilegiar fachadas N e S, o que diminui os ganhos térmicos indesejados e melhora o conforto ambiental. Em termos de projeto, isso é uma estratégia clássica de arquitetura bioclimática, muito usada em regiões quentes e úmidas. As demais opções misturam conceitos corretos com soluções mal formuladas. A FGV gosta desse tipo de questão: ela pega um princípio verdadeiro e coloca um detalhe trocado, como inverter radiação solar, ventilação, ruído ou orientação. Aqui, o acerto vem da leitura climática do edifício, não de decorar fórmula.