Com relação a projetos de Habitação de Interesse Social (HIS), produzidos no Brasil, analise os itens a seguir: I. Os projetos de HIS desenvolvidos no País seguem soluções diferenciadas de acordo com as diversidades geoclimáticas de cada região brasileira. II. Apesar de algumas medidas de sustentabilidade apresentarem custos adicionais, o que acaba sendo uma barreira importante dado os limites para o financiamento de HIS, o retorno dos investimentos ocorre em pouco tempo, seja pela economia no consumo das despesas familiares, seja pelo aumento da qualidade ambiental. III. A adoção de medidas de arquitetura passiva, que são estratégias bioclimáticas para atingir o nível de conforto adequado com baixo custo ou custo zero, devem ser incorporadas em requisitos mínimos para a construção de HIS. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Esta alternativa sustenta que apenas a afirmativa I é correta, isto é, que os projetos de HIS no Brasil já são, em regra, adaptados às diferenças geoclimáticas regionais. O problema é que a produção brasileira de HIS historicamente foi marcada por padronização de plantas e tipologias, muitas vezes sem resposta bioclimática adequada às diversas zonas climáticas do país. Assim, a opção apoia-se em uma generalização que não corresponde ao padrão real da HIS brasileira.
- B)II, apenas.
Aqui se afirma que somente a proposição II deveria ser aceita, e ela realmente descreve corretamente que medidas sustentáveis podem exigir investimento inicial maior, mas tendem a se pagar pela redução de consumo e pela melhora das condições ambientais. O erro está no exclusivismo da alternativa: estratégias passivas de projeto, como sombreamento, ventilação cruzada e orientação solar, também têm aderência técnica à HIS e integram o conteúdo de III. Portanto, não é possível restringir o acerto apenas à afirmativa II.
- C)I e II, apenas.
Esta alternativa combina a ideia de que a HIS brasileira se adapta às diferenças regionais com a noção de que investimentos em sustentabilidade retornam rápido. O segundo ponto está alinhado com a análise de custo do ciclo de vida, mas o primeiro não corresponde ao padrão histórico predominante da produção de HIS no Brasil, que costuma ser padronizada e pouco sensível às diversidades geoclimáticas. Além disso, a exclusão de III deixa de fora uma diretriz técnica relevante de arquitetura passiva para habitação social.
- D)II e III, apenas.
A alternativa reúne duas afirmações tecnicamente corretas: a de que certas medidas sustentáveis, embora elevem o custo inicial, compensam ao longo do uso pela economia nas despesas familiares, e a de que estratégias bioclimáticas passivas devem entrar como requisito mínimo da HIS. Isso faz sentido na lógica do conforto ambiental e do desempenho térmico, reforçada por referenciais como a ABNT NBR 15220 e a NBR 15575. Ela acerta também ao não incluir a afirmativa I, que generaliza uma adaptação regional que não caracteriza, de modo amplo, os projetos brasileiros de HIS.
- E)I, II e III.
Esta opção afirma que as três proposições estariam corretas, incluindo a ideia de que os projetos de HIS no Brasil já seguem soluções diferenciadas conforme o clima de cada região. Embora II e III estejam bem fundamentadas tecnicamente, I é excessivamente generalizante: a prática nacional de HIS costuma repetir soluções padronizadas e nem sempre incorpora a leitura bioclimática regional. Por isso, não se pode aceitar o conjunto integral das três afirmativas.
Gabarito: D
Em Habitação de Interesse Social, o ponto central nao e fazer uma casa “genérica” para qualquer lugar do mapa, mas garantir conforto, desempenho e custo viavel. Por isso, a ideia de arquitetura passiva ganha muita força: orientar a unidade, ventilar bem, sombrear, aproveitar luz natural e reduzir a necessidade de equipamentos caros. Isso conversa diretamente com o desempenho minimo esperado nas moradias, especialmente quando o orçamento e apertado. A assertiva II esta correta porque medidas de sustentabilidade podem exigir um investimento inicial maior, mas costumam se pagar com o tempo. Menos gasto com energia, agua e manutencao pesa no bolso da familia e melhora a qualidade ambiental da moradia. Em HIS, esse retorno e especialmente relevante, porque o custo de uso da casa tambem faz parte da conta. A assertiva III tambem esta correta. Arquitetura passiva sao estrategias bioclimaticas de baixo custo ou custo zero, e elas devem ser pensadas como requisito basico, nao como “luxo verde” opcional. Isso se alinha a logicas de desempenho habitacional, como as da ABNT NBR 15575, que reforcam a importancia de conforto termico, acustico e luminico. Ja a assertiva I esta errada, porque a producao de HIS no Brasil historicamente tende a ser muito padronizada, nem sempre respeitando as diferencas geoclimaticas regionais. Em outras palavras: o clima muda, mas o projeto muitas vezes vem “copiado e colado”, o que compromete conforto e eficiencia. Por isso, o gabarito correto e D, apenas II e III.