Baseando-se nas propostas estabelecidas pela Carta de Machu Picchu, durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal:
- A)É não se colocar de acordo com as necessidades fundamentais dos homens.
Errada, porque reduz o problema a uma ideia genérica de necessidades humanas, sem captar o foco específico da Carta de Machu Picchu na dimensão social do espaço arquitetônico.
- B)É não pensar o indivíduo enquanto sujeito principal para a valorização do patrimônio.
Errada, porque trata do patrimônio cultural e da valorização do indivíduo nesse contexto, mas não expressa o problema central da arquitetura contemporânea apontado pela Carta.
- C)Não é mais setorizar, mas pensar a cidade enquanto conjunto econômico, social e político.
Errada, porque fala de cidade como conjunto econômico, social e político, tema importante em urbanismo, mas não corresponde ao enunciado sobre a prioridade da arquitetura contemporânea.
- D)Não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver.
Certa, porque expressa a mudança de foco da arquitetura como composição visual para a criação de espaços sociais voltados à vida em comum.
- E)É difundir os modelos de gestão de financiamento de planos e projetos pertinentes dentro do campo do patrimônio cultural.
Errada, porque aborda gestão e financiamento de patrimônio cultural, assunto diferente da discussão sobre o problema principal da arquitetura contemporânea.
Gabarito: D
A Carta de Machu Picchu, ligada à reflexão sobre o urbanismo e a arquitetura no contexto social latino-americano, reforça uma ideia bem simples: arquitetura não é só forma bonita para ser admirada de longe. O foco passa a ser a vida real das pessoas, a função social do espaço e a resposta às necessidades coletivas. Em outras palavras, o prédio não existe para virar escultura de revista, mas para ser usado, vivido e fazer sentido no cotidiano. Dentro dessa lógica, o problema principal da arquitetura contemporânea deixa de ser o velho jogo visual de volumes puros, tão associado a uma leitura mais formalista da arquitetura moderna, e passa a ser a criação de espaços sociais. O centro da discussão não é o “desenho que impressiona”, e sim o ambiente que permite convivência, uso, pertencimento e dignidade. Por isso, a alternativa D está correta: ela traduz exatamente a virada de foco da aparência para a função social do espaço. Isso conversa com a tradição doutrinária da arquitetura com função social e com o próprio debate urbanístico que valoriza o homem e a coletividade como medida principal do projeto. Em prova, quando aparecer Carta de Machu Picchu, pense logo nesta chave: menos estética pela estética, mais cidade e arquitetura como suporte da vida humana. É a arquitetura saindo do palco e indo para a rua, onde as pessoas realmente estão.