Um arquiteto foi contratado para analisar um projeto de construção de uma edificação de grande porte de perfil comercial a ser instalado no município de Santarém. Durante a consultoria chama a atenção a fachada norte, que abriga os acessos principais, sendo projetada revestida por painéis de vidro. A justificativa se dá pela obtenção da iluminação natural de maneira a assegurar a máxima eficiência energética da edificação, pois a empresa pretende implantar medidas de conservação de energia em toda rede. Considerando que o clima da região é quente e úmido, com temperatura média anual variando de 25 a 28° C em atendimentos aos princípios estabelecidos pelo zoneamento bioclimático, assinale a afirmativa correta.
- A)Considerando as temperaturas médias da cidade e o zoneamento bioclimático, a climatização artificial através de sistema de refrigeração deve ser utilizada sempre; sendo assim, não há ressalvas significativas em torno da estética adotada para esta fachada.
Errada, porque a climatização artificial não deve ser assumida como regra absoluta e a fachada em vidro sem controle solar tende a piorar o conforto e o gasto energético.
- B)É fortemente recomendada a reformulação estética da fachada. Uma possível solução é a utilização de brises verticais, garantindo a luminosidade adotada pela fachada em vidro; porém, garantindo menor incidência solar, gerando conforto térmico para os usuários.
Errada, porque brises verticais ajudam no controle solar de algumas orientações, mas a proposta está incompleta e não resolve por si só os ganhos térmicos da fachada em vidro nesse clima.
- C)Para este tipo de arquitetura, a sensação térmica é impactada diretamente pelo entorno imediato. Para que não seja necessária a reformulação estética da fachada, recomenda-se que na execução de passeios não seja utilizada pavimentação, possibilitando, assim, a total permeabilidade no pavimento, melhorando o microclima.
Errada, porque a permeabilidade do entorno pode ajudar no microclima, mas não elimina o problema principal da fachada envidraçada, que é o excesso de calor e ofuscamento.
- D)É fortemente recomendada a reformulação estética da fachada, uma vez que os ganhos térmicos e possível ofuscamento ocasionado pela utilização do material em questão não geram a melhor solução integrada para conforto ambiental. Ao optar por este modelo de fachada, haverá também a elevação de custos com climatização, se comparados às estratégias bioclimáticas recomendadas para o local.
Certa, porque a fachada envidraçada aumenta ganhos térmicos e risco de ofuscamento, exigindo reformulação para atender melhor ao conforto ambiental e ao desempenho energético.
Gabarito: D
Em clima quente e úmido, como o de Santarém, o objetivo do projeto bioclimático é reduzir o ganho de calor e aproveitar a luz natural sem transformar a edificação em uma estufa elegante. Fachadas com grande área envidraçada podem até ajudar na iluminação, mas também aumentam bastante a entrada de radiação solar, elevando a temperatura interna e o risco de ofuscamento. Por isso, quando a fachada principal recebe vidro em excesso, a solução costuma exigir proteção solar, controle de aberturas e estratégias que favoreçam sombreamento e ventilação. Em termos simples: entra luz, mas não entra o sol “de brinde”. É exatamente aí que entram elementos como brises, beirais, sombreamentos e materiais mais adequados ao clima local. A alternativa D está correta porque identifica o problema central: os ganhos térmicos e o ofuscamento da fachada em vidro prejudicam o conforto ambiental e vão aumentar a dependência de climatização artificial. Em um clima quente e úmido, isso contraria as recomendações bioclimáticas e piora o desempenho energético da edificação. Não há uma lei única que proíba fachada envidraçada, mas o tema é guiado pelas diretrizes de conforto ambiental e pelo zoneamento bioclimático brasileiro, que orientam soluções compatíveis com o clima. Em prova, o raciocínio é esse: se o local já é quente, não faz sentido apostar em uma fachada que amplifica calor e consumo de energia sem proteção adequada.