Burle Marx viveu em Recife, entre 1934 e 1937, onde atuava como chefe do setor de parques e jardins da diretoria de arquitetura e urbanismo de Pernambuco. Nesse período, ele lançou as bases de sua carreira, que incluíram
- A)reflexão sobre o paisagismo no espaço público como disciplina autônoma e fortemente ancorada em movimentos internacionais de composição paisagística.
Errada, porque Burle Marx não se guiava por uma subordinação a movimentos internacionais; ele buscava justamente autonomia e identidade brasileira no paisagismo.
- B)preferência por temas prosaicos e pitorescos representados em jardins interiores de pequena escala.
Errada, pois a obra dele não se destacou por jardins interiores pequenos e pitorescos, mas por intervenções de maior escala e forte presença pública.
- C)valorização de desenhos de piso e elementos fabricados como componentes principais da comunicação artística, em detrimento da vegetação.
Errada, porque Burle Marx valorizava a vegetação como elemento principal, e não como detalhe secundário diante de pisos e peças fabricadas.
- D)concepção da vegetação como meio de amenizar o clima e a poluição urbana, além de emprego e valorização da flora autóctone.
Certa, pois expressa a ideia de usar a vegetação para melhorar o ambiente urbano e valorizar a flora nativa, que é central na formação de sua obra.
- E)formulação de pressupostos e princípios de ação, sobretudo por meio do desenho, excluindo experiências botânicas.
Errada, porque Burle Marx unia desenho e experiências botânicas; ele não separava a criação paisagística do conhecimento das plantas.
Gabarito: D
Burle Marx foi muito mais do que um "jardineiro caprichoso": ele ajudou a transformar o paisagismo em uma linguagem própria, ligada ao desenho, à botânica e à vida urbana. No período em Recife, entre 1934 e 1937, ele consolidou ideias que depois marcaram sua obra em todo o Brasil: usar a vegetacao nativa, respeitar o clima tropical e pensar o jardim como parte da cidade, e nao como simples enfeite. A lógica dele era bem moderna para a época. Em vez de copiar modelos europeus prontos, ele valorizava a flora autóctone e via a vegetação como elemento funcional e estético ao mesmo tempo. Isso ajudava a amenizar calor, poeira e poluição, além de criar paisagens mais coerentes com o ambiente brasileiro. Em linguagem de prova: paisagismo com identidade tropical e função urbana. Por isso o gabarito é a letra D. Ela resume exatamente esse momento inicial da carreira de Burle Marx: a defesa da vegetação como instrumento de conforto ambiental e a valorização das plantas nativas. É uma marca central do pensamento dele e aparece com força na bibliografia de paisagismo brasileiro, especialmente na leitura histórica da modernização do jardim no século XX. Se você lembrar de uma palavra-chave só, pense assim: Burle Marx não queria jardim de vitrine estrangeira, e sim paisagem tropical com cara de Brasil, visual e funcional ao mesmo tempo.