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Questões de Direito Civil VUNESP: comentadas e grátis

Pratique questões de Direito Civil da banca VUNESP, comentadas e de graça, para concursos e OAB. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Considerando as disposições do Código Civil relativas ao direito de vizinhança, assinale a alternativa correta.

  • A)O proprietário ou possuidor tem direito de fazer cessar as interferências prejudiciais provocadas pela utilização da propriedade vizinha, mas é obrigado a indenizar o vizinho pelo prejuízo decorrente da cessação da atividade.
  • B)O proprietário ou possuidor tem direito de recolher para si os frutos pendentes e os frutos caídos de árvore do terreno vizinho.
  • C)O dono de prédio que não tiver passagem para via pública, nascente ou porto tem direito de constranger o vizinho a lhe dar passagem, mediante pagamento de indenização.
  • D)O proprietário tem direito de cercar ou murar seu prédio, bem como pode obrigar o vizinho à demarcação entre os dois prédios, aviventando os rumos apagados e renovando os marcos destruídos, desde que suporte as despesas.
  • E)O proprietário pode, a qualquer tempo, exigir que o vizinho desfaça obra que despeje goteira sobre seu prédio.
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Resposta correta: C

Direito de vizinhança é aquele conjunto de regras que impede o uso da propriedade de virar uma festa no apartamento do lado. A ideia do Código Civil é simples: você pode usar seu imóvel, mas sem criar prejuízo abusivo ao vizinho. Por isso, o art. 1.277 do CC permite que o proprietário ou possuidor faça cessar interferências prejudiciais, como barulho, fumaça, vibração e coisas do tipo, desde que o incômodo fuja da normalidade tolerável. A questão, porém, cobra um remédio bem específico: passagem forçada. Quando um imóvel fica sem acesso a via pública, nascente ou porto, o dono pode exigir passagem pelo imóvel vizinho, mediante indenização ao vizinho onerado. É o que prevê o art. 1.285 do Código Civil. A lógica é evitar que o imóvel fique ilhado e sem utilidade prática, mas sem empurrar o prejuízo para o vizinho de graça. Por isso o gabarito é a alternativa C: ela reproduz a regra legal com fidelidade. O direito existe justamente quando não há saída natural para a via pública, e o exercício depende de indenização, porque o vizinho não tem de suportar sozinho o encargo da passagem. As demais alternativas trocam o texto da lei, exageram direitos ou colocam condições erradas. Em prova de direito de vizinhança, a banca adora essas pequenas inversões, porque uma palavrinha muda tudo.

Questão 2

Assinale a alternativa correta sobre mora e inadimplemento absoluto.

  • A)A mora faculta ao credor exigir a prestação acrescida de perdas e danos, juros, correção monetária e honorários advocatícios, enquanto o inadimplemento absoluto abre ao credor a opção de resolver o contrato.
  • B)A mora se converte em inadimplemento absoluto quando não mais persiste para o devedor a possibilidade de cumprir a prestação.
  • C)Os juros de mora por inadimplemento contratual contam-se sempre a partir da citação.
  • D)O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação salvo se provar que tal impossibilidade resultou de caso fortuito ou força maior.
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Resposta correta: B

Mora e inadimplemento absoluto são duas ideias que caem muito em concurso porque parecem primas, mas não são a mesma coisa. Na mora, ainda existe utilidade no cumprimento: o devedor atrasa, mas a prestação continua possível e interessa ao credor. Por isso, o art. 395 do Código Civil prevê que o devedor em mora responde por prejuízos, juros, atualização monetária e honorários, além do que for devido como prestação. Já o inadimplemento absoluto ocorre quando o atraso ou a falta de cumprimento faz a prestação perder a utilidade para o credor, ou quando simplesmente não há mais como cumprir. Aí não se fala mais em simples atraso: o vínculo entra em colapso e o credor pode buscar a resolução do contrato, nos termos do art. 475 do Código Civil, além das perdas e danos cabíveis. O gabarito é a letra B porque ela traduz justamente essa passagem da mora para o inadimplemento absoluto: a mora deixa de ser apenas atraso e vira inadimplemento definitivo quando não resta possibilidade de cumprimento útil da prestação. É a lógica clássica da doutrina e da jurisprudência: se já não adianta mais receber, não estamos diante de mera mora. Em resumo: mora é atraso com prestação ainda útil; inadimplemento absoluto é falta definitiva, com perda de utilidade ou impossibilidade de cumprimento. Se você guardar essa diferença, já derruba boa parte das pegadinhas da VUNESP.

Questão 3

Considerando as disposições do Código Civil relativas à posse, assinale a alternativa correta.

  • A)O detentor conserva a posse da coisa em cumprimento de ordens ou instruções de outra pessoa, com quem mantém relação de dependência.
  • B)Posse direta é aquela exercida em nome próprio, enquanto a posse indireta é exercida em nome alheio.
  • C)O possuidor tem direito de ser mantido ou reintegrado na posse, valendo-se, inclusive, de desforço próprio, salvo se a parte contrária comprovar que é a legítima proprietária do bem.
  • D)O possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos, aos pendentes e aos colhidos por antecipação, até a data em que cessar a boa-fé.
  • E)O possuidor de boa-fé tem direito de retenção pelas benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias; o possuidor de má-fé tem direito de retenção apenas pelas benfeitorias necessárias.
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Resposta correta: A

A questão gira em torno de posse e detenção, um tema que a VUNESP adora cobrar trocando conceitos parecidos para ver se voce escorrega no tapete. No Código Civil, o detentor não é possuidor: ele apenas conserva a coisa em nome de outra pessoa, seguindo ordens ou instruções dela, em relação de dependência. Isso está no art. 1.198 do CC. Por isso, a alternativa A está correta. Ela descreve exatamente a figura do detentor, também chamado de servidor da posse. Em outras palavras: ele está com a coisa, mas não age como dono da posse. A posse continua com quem realmente exerce poderes possessórios em nome próprio. Já a posse direta e a posse indireta não se distinguem por "nome próprio" e "nome alheio" dessa forma simplificada. A posse direta é exercida por quem tem a coisa consigo, como o locatário ou o comodatário, enquanto a indireta fica com quem a cedeu, como o locador ou o comodante. Essa divisão aparece no art. 1.197 do CC. As outras alternativas também erram em pontos clássicos: o possuidor pode proteger a posse mesmo contra o proprietário, dentro dos limites legais, e os frutos, benfeitorias e retenção seguem regras próprias dos arts. 1.214 a 1.220 do CC. Em prova, desconfie sempre quando a banca mistura posse com propriedade como se fossem a mesma coisa. Não são.

Questão 4

No que se refere aos contratos empresariais, sobre os contratos de colaboração, é correto afirmar que

  • A)são aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre agência.
  • B)o crédito do comissário, relativo a comissões e despesas feitas, goza de privilégio especial, no caso de falência do comitente.
  • C)têm por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em nome do comitente.
  • D)o comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa ou se do contrato constar cláusula del credere.
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Resposta correta: D

Os contratos de colaboração são aqueles em que uma parte ajuda a colocar produtos ou negócios no mercado, sem assumir, em regra, o risco final da operação como se fosse o dono da bola. Entre eles, a comissão é clássica: o comissário age em seu próprio nome, mas por conta do comitente. Isso já derruba muita pegadinha de prova, porque a banca adora trocar "nome próprio" por "nome do comitente" e vice-versa. No Código Civil, o comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem contrata, salvo se agir com culpa ou se houver cláusula del credere. É exatamente o que está no art. 698 do CC. Em português claro: se o terceiro não paga, o problema não é automaticamente do comissário, a não ser que ele tenha prometido esse risco ou tenha atuado mal. A alternativa D está correta porque traz essa regra de forma fiel. Já as demais erram ao inverter regras entre comissão e agência, ou ao descrever de modo errado a própria essência da comissão. Em contratos empresariais, a prova costuma cobrar mais a letra da lei do que teorias sofisticadas, então vale decorar o núcleo: comissão = atuação em nome próprio, por conta alheia, com responsabilidade limitada pela insolvência do terceiro. Resumo para guardar: comissão não é representação pura, não é venda em nome do comitente e não transforma o comissário em garantidor automático do inadimplemento alheio.

Questão 5

Assinale a alternativa correta sobre o pagamento indevido.

  • A)Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei e o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência, a critério do juiz.
  • B)Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador.
  • C)Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do dobro do valor do imóvel, responde por perdas e danos.
  • D)O pagamento indevido presume-se feito por erro, salvo prova em contrário; aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplicam-se as regras que regem o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso.
  • E)Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, no valor equivalente ao da prestação recebida, corrigida monetariamente e acrescida de juros legais.
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Resposta correta: B

Pagamento indevido é o clássico caso em que alguém paga o que não devia e, por isso, nasce o dever de devolver. A ideia central está no art. 876 do Código Civil: quem recebeu indevidamente tem de restituir, porque ninguém pode enriquecer sem causa às custas de outra pessoa. Mas o Código também traz exceções e detalhes importantes, e é aí que a banca gosta de pescar. Um ponto bem cobrado é o do art. 877: se quem recebeu o pagamento, de boa-fé, o fez como parte de uma dívida verdadeira, e por isso inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias, ele fica isento de restituir. Parece injusto à primeira vista, mas a lógica é proteger quem confiou na quitação e acabou perdendo meios de cobrança. Por isso o gabarito é a letra B. Ela reproduz exatamente a regra legal: o recebedor indevido, quando agiu nesses termos e sofreu esse prejuízo, não precisa devolver, e quem pagou indevidamente pode buscar a satisfação contra o verdadeiro devedor e o fiador. É o tipo de detalhe que a VUNESP adora colocar com cara de artigo, só para ver se você está lendo o filme ou só o trailer. As demais alternativas misturam artigos do tema com redações erradas ou valores trocados. Então, se aparecer pagamento indevido, pense em restituição, enriquecimento sem causa, boa-fé, má-fé e nas exceções dos arts. 876 a 883 do Código Civil.

Questão 6

Assinale a alternativa correta sobre as preferências e privilégios creditórios.

  • A)Quando concorrerem aos mesmos bens, e por título igual, porém com valores diferentes, dois ou mais credores da mesma classe especialmente privilegiados, haverá, entre eles, rateio em igual valor, se o produto não bastar para o pagamento integral de todos.
  • B)O privilégio geral só compreende os bens sujeitos, por expressa disposição de lei, ao pagamento do crédito que ele favorece e o privilégio real de todos os bens não sujeitos a crédito real nem a privilégio especial.
  • C)Tem privilégio geral sobre a coisa arrecadada e liquidada o credor de custas e despesas judiciais feitas com a arrecadação e liquidação.
  • D)O crédito pelos impostos devidos à Fazenda Pública, no ano corrente e no anterior, tem privilégio sobre o crédito pelos salários dos empregados do serviço doméstico do devedor, nos seus derradeiros seis meses de vida.
  • E)Tem privilégio especial sobre o produto da colheita, para a qual houver concorrido com o seu trabalho, e precipuamente a quaisquer outros créditos, salvo os reais, o trabalhador agrícola, quanto à dívida dos seus salários.
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Resposta correta: D

As preferências e os privilégios creditórios servem para dizer quem recebe primeiro quando os bens do devedor não bastam para todo mundo. Em concurso, o segredo é lembrar que a lei faz uma ordem de pagamento bem específica, e ela não é intuitiva: nem todo crédito trabalhista ou tributário ocupa o mesmo lugar em qualquer situação. No Código Civil, os privilégios podem ser gerais ou especiais. O privilegiado geral recai sobre o patrimônio do devedor em certas hipóteses definidas em lei, enquanto o especial se prende a determinado bem ou produto. A banca gosta de misturar essas categorias com expressões parecidas, então vale ler com calma o objeto da preferência. A alternativa D está correta porque o Código Civil prevê que os créditos tributários da Fazenda Pública, relativos ao ano corrente e ao anterior, têm preferência sobre os créditos pelos salários dos empregados do serviço doméstico do devedor, nos seus derradeiros seis meses de vida. Essa ordem de preferência está no regime legal dos privilégios creditórios, especialmente nos artigos 965 e seguintes do CC. Ou seja: aqui a lei fez uma opção expressa de hierarquia entre créditos, e a questão cobra exatamente essa ordem. Em prova, quando aparecer privilégio creditório, pense: quem a lei colocou antes, sobre qual bem ou massa patrimonial, e em que limite temporal.

Questão 7

Quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior ocorre

  • A)a novação.
  • B)a compensação.
  • C)a dação em pagamento.
  • D)o pagamento com sub-rogação
  • E)a confusão.
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Resposta correta: A

A questão trata de uma forma clássica de extinção das obrigações: a novação. Ela acontece quando as partes criam uma nova dívida para substituir a anterior, fazendo a dívida velha sair de cena. Em outras palavras: não é só trocar o valor ou o prazo, mas gerar uma obrigação nova com intenção de apagar a antiga. O Código Civil disciplina isso nos arts. 360 a 367. O ponto central é o animus novandi, isto é, a vontade clara de novar. Sem essa intenção inequívoca, a obrigação anterior continua existindo, porque o Direito Civil não gosta de presumir novação por acidente de percurso. Por isso o gabarito é a letra A. Se o devedor assume nova dívida para extinguir e substituir a anterior, houve novação objetiva, na forma do art. 360, I, do Código Civil. A doutrina costuma destacar exatamente essa ideia de substituição: nasce uma obrigação nova e morre a antiga. As demais alternativas tratam de institutos diferentes. Compensação é encontro de dívidas recíprocas, dação em pagamento é cumprir com prestação diversa da devida, sub-rogação é substituição do credor em razão do pagamento, e confusão ocorre quando credor e devedor se reúnem na mesma pessoa. Cada uma extingue a obrigação por caminho próprio, mas nenhuma descreve a hipótese narrada.

Questão 8

Quanto aos vícios redibitórios, assine a alternativa correta.

  • A)Tratando-se de venda de animais, não se aplicam as regras quanto aos vícios ocultos.
  • B)O direito de obter a redibição prescreve no prazo de trinta dias se a coisa for móvel.
  • C)Aplicam-se as regras dos vícios redibitórios às doações onerosas.
  • D)Sendo o caso, o adquirente deve reclamar abatimento no preço.
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Resposta correta: C

Vícios redibitórios sao os defeitos ocultos existentes na coisa recebida em contrato comutativo, que a tornam imprópria ao uso ou lhe diminuem muito o valor. A ideia e simples: voce compra achando que levou um bem funcional, mas descobre que veio com um problema escondido. Nessa situação, o Codigo Civil permite duas saídas principais: desfazer o negocio (redibicao) ou pedir abatimento do preco. O tema esta nos arts. 441 a 446 do Codigo Civil. O art. 441 deixa claro que o adquirente pode rejeitar a coisa ou pedir abatimento se o vicio for oculto e relevante. O art. 442 reforca que a escolha nao e obrigatoriamente so pela redibicao: voce tambem pode optar pela reducao proporcional do preco. Por isso, a alternativa C esta correta: as regras dos vicios redibitorios aplicam-se tambem as doacoes onerosas, por forca do art. 441, paragrafo unico, do CC. E o detalhe importante aqui e a leitura de concurso: doacao onerosas, por terem carga de onerosidade, recebem essa disciplina. A doutrina costuma tratar esse ponto como extensao natural da protecao contra defeitos ocultos. Em resumo: vicio oculto relevante gera remedios ao adquirente, mas cuidado com os prazos decadenciais do art. 445 e com a diferenca entre redibicao e abatimento. A banca adora trocar prescricao por decadencia e ver quem morde a isca.

Questão 9

A respeito das obrigações solidárias, assinale a alternativa correta.

  • A)No silêncio do contrato e na ausência de disposição legal, presume-se a solidariedade dos devedores, podendo o credor exigir o pagamento integral do débito contra todos e cada um dos devedores.
  • B)Falecendo um dos credores solidários e sendo a obrigação divisível, qualquer um dos herdeiros pode exigir o pagamento integral da cota pertencente ao credor falecido, procedendo em seguida ao rateio entre os demais herdeiros, se houver.
  • C)Falecendo um dos devedores solidários e sendo a obrigação divisível, qualquer um de seus herdeiros pode ser chamado a responder pela cota do devedor falecido, ressalvado o direito de regresso contra os demais herdeiros, se houver.
  • D)A propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores implica renúncia à solidariedade quanto aos demais.
  • E)O devedor solidário que pagar a dívida por inteiro tem direito de exigir a cota de cada um dos co-devedores, individualmente.
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Resposta correta: E

Nas obrigações solidárias, a ideia central é simples: há mais de um credor ou devedor, mas a prestação pode ser cobrada ou paga por inteiro, conforme a estrutura da solidariedade. Só que solidariedade não se presume. Pelo Código Civil, ela depende de lei ou de vontade expressa das partes (art. 265). Ou seja, se o contrato ficar em silêncio, não nasce solidariedade por magia jurídica. A consequência prática é boa para o credor: ele pode cobrar a dívida toda de qualquer devedor solidário, e o pagamento feito por um deles extingue a obrigação perante o credor. Depois, quem pagou resolve a conta com os demais internamente, por meio do direito de regresso, para repartir o que cada um efetivamente suportará. É exatamente por isso que a alternativa E está correta. Se o devedor solidário paga a dívida por inteiro, ele pode exigir de cada co-devedor a sua quota-parte, individualmente, conforme a participação de cada um na dívida. Isso está de acordo com o art. 283 do Código Civil, que garante o regresso proporcional contra os demais coobrigados. Em provas, a banca costuma misturar solidariedade com responsabilidade conjunta e com regras de herança, então vale lembrar: solidariedade externa é uma coisa, divisão interna entre os coobrigados é outra. O credor quer o todo; entre os devedores, cada um responde pela sua parte.

Questão 10

Assinale a alternativa incorreta quanto ao direito real de habitação do viúvo, de acordo com entendimento dominante e atual do Superior Tribunal de Justiça:

  • A)O fato de o viúvo ser casado pelo regime da separação obrigatória de bens não impede o reconhecimento do direito real de habitação.
  • B)Exige-se o registro imobiliário para constituição do direito real de habitação do viúvo.
  • C)O viúvo pode renunciar ao direito real de habitação nos autos de inventário ou por escritura pública, sem prejuízo de sua participação na herança.
  • D)A copropriedade entre o autor da herança e os descendentes, anterior à abertura da sucessão, impede o reconhecimento do direito real de habitação em favor do viúvo.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: B

O direito real de habitação é aquele direito de continuar morando no imóvel que servia de residência da família, mesmo depois da morte do cônjuge ou companheiro. Ele está no art. 1.831 do Código Civil e, na prática, funciona como uma proteção de moradia: a lei quer evitar que o viúvo fique sem teto por causa da abertura da sucessão. O STJ tem entendimento bem estável de que esse direito nasce por força da lei, sem depender de registro imobiliário para existir. Ou seja, não é daqueles direitos reais que precisam primeiro passar pelo cartório para ganhar vida. Por isso, a alternativa B está errada: o registro não é requisito constitutivo do direito real de habitação do viúvo. Também não importa, para afastar esse direito, o regime de bens do casamento, inclusive a separação obrigatória. A proteção é sucessória e de moradia, não um prêmio condicionado ao regime patrimonial. E o STJ admite, em situações específicas, a renúncia ao direito, inclusive nos autos do inventário ou por escritura pública, sem que isso elimine automaticamente a participação do viúvo na herança. Em resumo: a ideia central é preservar o lar, e não complicar a vida do sobrevivente com formalidades desnecessárias. Se a questão fala em exigir registro para constituir esse direito, desconfie: essa é a pegadinha clássica.

Perguntas frequentes

Este quiz de Direito Civil VUNESP é gratuito?

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As questões de Direito Civil VUNESP são reais de concurso?

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A VUNESP desconta ponto por questão errada?

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Quantas alternativas tem cada questão da VUNESP?

Em regra são cinco alternativas por questão de múltipla escolha, com apenas uma correta. Fique atento aos comandos que pedem a alternativa incorreta.

A VUNESP cobra lei seca ou doutrina?

O forte da banca é a literalidade da lei. Ela exige bem menos doutrina e jurisprudência do que outras bancas, então decorar o texto legal com seus prazos e exceções rende muitos pontos.

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