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Direito Civil FGV: grátis

Civil FGV: Parte Geral, Obrigações, Contratos.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

A respeito da vigência, aplicação, eficácia e interpretação da lei, assinale a opção correta.

  • A)A derrogação torna sem efeito uma parte de determinada norma, não perdendo esta a sua vigência.
  • B)A interpretação da norma presta-se a preencher as lacunas existentes no sistema normativo.
  • C)O regime de bens obedece à lei do país em que for celebrado o casamento.
  • D)Em regra, caso a lei revogadora venha a perder a vigência, restaura-se a lei revogada.
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Resposta correta: A

Aqui a ideia central é distinguir revogação total e parcial. Quando a lei perde parte do seu conteúdo, fala-se em derrogação: a norma continua existindo, mas um pedaço dela deixa de valer. Se a revogação atinge a lei inteira, aí sim há ab-rogação. Isso conversa com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, art. 2º, que trata da vigência e da revogação das leis. Por isso a alternativa A está correta: a derrogação retira eficácia apenas de uma parte da norma, sem eliminar a vigência do restante. É aquele tipo de questão que a banca gosta de fazer parecer detalhe, mas o detalhe manda no jogo. A alternativa B confunde interpretação com integração. Interpretar é descobrir o sentido da norma; preencher lacunas é integrar o sistema, usando analogia, costumes e princípios gerais do direito, como prevê a LINDB. Já a letra C erra porque o regime de bens não segue, em regra, o local da celebração do casamento, mas a lei do domicílio dos nubentes, conforme a LINDB. E a D também está errada, porque a revogação da lei revogadora não faz renascer automaticamente a lei revogada, salvo disposição expressa nesse sentido.

Questão 2

Em 2004, Joaquim, que não tinha herdeiros necessários, lavrou um testamento contemplando como sua herdeira universal Ana. Em 2006, arrependido, Joaquim revogou o testamento de 2004, nomeando como seu herdeiro universal Sérgio. Em 2008, Sérgio faleceu, deixando uma filha Catarina. No mês de julho de 2010, faleceu Joaquim. O único parente vivo de Joaquim era seu irmão, Rubens. Assinale a alternativa que indique a quem caberá a herança de Joaquim.

  • A)Rubens.
  • B)Catarina.
  • C)Ana.
  • D)A herança será vacante.
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Resposta correta: A

Aqui a chave é lembrar que testamento revogado morre revogado: ele sai de cena e não produz efeitos na sucessão. Joaquim fez um primeiro testamento, depois revogou esse ato e ainda nomeou outra pessoa como herdeiro universal. Só que essa segunda pessoa faleceu antes de Joaquim, então não chegou a herdar nada, porque, em regra, quem precisa estar vivo no momento da abertura da sucessão é o herdeiro ou legatário, salvo hipóteses específicas que aqui não aparecem. Como Joaquim não deixou herdeiros necessários, ele podia dispor livremente de todo o patrimônio por testamento. Mas, com a morte do herdeiro testamentário antes do testador, a vocação testamentária falha. A consequência prática é simples: a herança não vai para o primeiro testamento revogado, nem para a filha do herdeiro falecido, porque não há direito de representação na sucessão testamentária, salvo disposição expressa do testador, o que não ocorreu. Sobra então a sucessão legítima, prevista no art. 1.829 do Código Civil. E, como Joaquim não deixou descendentes, ascendentes nem cônjuge, a herança vai para os colaterais, começando pelo irmão, que é parente colateral de 2º grau. Por isso, o irmão Rubens é quem recebe a herança. Em resumo: revogação do testamento antigo, ineficácia do novo por morte prévia do beneficiário e aplicação da ordem legal da sucessão legítima. É a clássica pergunta de concurso que parece testar testamento, mas na verdade quer ver se você lembra da fila da vocação hereditária.

Questão 3

Assinale a opção correta com relação à responsabilidade civil.

  • A)O dano deve ser certo, por essa razão não é possível a indenização por dano eventual, decorrente da perda de uma chance.
  • B)Tratando-se de responsabilidade subjetiva contratual, a responsabilidade do agente pode subsistir mesmo nos casos de força maior e de caso fortuito, desde que a lei não coíba a sua previsão.
  • C)De acordo com o regime da responsabilidade civil traçado no Código Civil brasileiro, inexistem causas excludentes da responsabilidade civil objetiva.
  • D)A extinção da punibilidade criminal sempre obsta a propositura de ação civil indenizatória.
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Resposta correta: B

Na responsabilidade civil, a regra é simples: quem causa dano, em princípio, indeniza, mas isso depende do tipo de responsabilidade e das excludentes previstas em lei. No Código Civil, o caso fortuito e a força maior, em regra, excluem a responsabilidade, especialmente quando rompem o nexo causal, como indica o art. 393. Mas essa exclusão não é absoluta: as partes podem, em certos casos, assumir contratualmente o risco, e a própria lei pode admitir a subsistência da responsabilidade mesmo diante desses eventos. É exatamente por isso que a letra B está correta. Em matéria contratual, a responsabilidade pode continuar existindo mesmo com força maior ou caso fortuito quando houver previsão legal ou quando a obrigação assumida comportar essa alocação de risco. Em outras palavras, nem todo evento “inevitável” livra o agente de pagar a conta - o Direito Civil não gosta de soluções automáticas demais. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos. Há dano certo e também há reparação por perda de uma chance, que é aceita pela doutrina e pela jurisprudência quando existe probabilidade séria e real de obtenção de vantagem ou de evitar prejuízo. Também não é verdade que a responsabilidade objetiva não tenha excludentes: culpa exclusiva da vítima, fato exclusivo de terceiro e, em várias situações, caso fortuito e força maior podem afastar o dever de indenizar. E a esfera penal não trava automaticamente a civil: o art. 935 do CC separa as instâncias, salvo hipóteses bem específicas.

Questão 4

Assinale a opção correta de acordo com o Código Civil brasileiro.

  • A)A sub-rogação objetiva ou real ocorre pela substituição de uma das partes, sem a extinção do vínculo obrigacional.
  • B)Caso o sub-rogado não consiga receber a importância devida, ele poderá cobrá-la do credor original.
  • C)Aplica-se à dação em pagamento o regime jurídico dos vícios redibitórios.
  • D)Opera-se novação quando o devedor oferece nova garantia ao credor.
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Resposta correta: C

A dação em pagamento acontece quando o credor aceita receber uma prestação diferente da originalmente devida para extinguir a obrigação. Em vez de pagar em dinheiro, por exemplo, o devedor entrega um bem, e a dívida sai de cena na medida do acordo. É o famoso "vamos resolver de outro jeito", desde que o credor concorde. No Código Civil, a lógica da dação em pagamento faz com que ela seja tratada como negócio oneroso de transferência de coisa. Por isso, se a coisa entregue tiver defeito oculto, aplica-se a disciplina dos vícios redibitórios, que protege o adquirente quando o vício torna a coisa imprópria ao uso ou lhe diminui muito o valor. É esse o ponto cobrado pela banca. A alternativa C está correta porque a dação em pagamento não é uma simples entrega qualquer: ela substitui a prestação original e produz efeitos patrimoniais típicos de aquisição onerosa. Assim, a tutela contra vícios da coisa entregue se encaixa perfeitamente no regime dos vícios redibitórios, conforme a construção doutrinária e a leitura sistemática do Código Civil, especialmente nos arts. 356 a 359 e na disciplina geral dos vícios redibitórios (arts. 441 e seguintes). As outras alternativas misturam conceitos clássicos de extinção das obrigações. Aqui, a FGV adora fazer isso: pega um instituto e troca o nome do fenômeno, para ver se você confunde sub-rogação com novação, ou dação com um simples pagamento.

Questão 5

Por meio de uma promessa de compra e venda, celebrada por instrumento particular registrada no cartório de Registro de Imóveis e na qual não se pactuou arrependimento, Juvenal foi residir no imóvel objeto do contrato e, quando quitou o pagamento, deparou-se com a recusa do promitente-vendedor em outorgar-lhe a escritura definitiva do imóvel. Diante do impasse, Juvenal poderá

  • A)requerer ao juiz a adjudicação do imóvel, a despeito de a promessa de compra e venda ter sido celebrada por instrumento particular.
  • B)usucapir o imóvel, já que não faria jus à adjudicação compulsória na hipótese.
  • C)desistir do negócio e pedir o dinheiro de volta.
  • D)exigir a substituição do imóvel prometido à venda por outro, muito embora inexistisse previsão expressa a esse respeito no contrato preliminar.
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Resposta correta: A

A promessa de compra e venda, quando é feita por instrumento escrito, registrada no Registro de Imóveis e sem cláusula de arrependimento, gera para o promitente comprador um direito forte: ele pode exigir a outorga da escritura definitiva depois de cumprir sua parte. Se o vendedor emperra a operação sem motivo, o remédio clássico é a adjudicação compulsória, que substitui a vontade do vendedor pela decisão judicial. Aqui, o detalhe importante é que a promessa ter sido por instrumento particular não impede nada, desde que esteja registrada e sem arrependimento. O ponto central não é o nome do papel, mas o preenchimento dos requisitos legais. Isso está em sintonia com o art. 1.417 do Código Civil e com a lógica da Súmula 239 do STJ, segundo a qual o direito à adjudicação compulsória não depende do registro do compromisso, embora no enunciado o registro exista de qualquer forma. Como Juvenal quitou o preço e o vendedor se recusou a outorgar a escritura, ele pode pedir ao juiz a adjudicação do imóvel. Em português claro: se o vendedor não assina, o Judiciário resolve a pendência e entrega o resultado prático do contrato. As demais alternativas tentam desviar você para saídas que não se encaixam no caso. Não é hipótese de usucapião, nem de desistência unilateral com devolução do dinheiro, nem de troca do imóvel por outro sem previsão contratual.

Questão 6

Com relação ao regime da solidariedade passiva, é correto afirmar que:

  • A)cada herdeiro pode ser demandado pela dívida toda do devedor solidário falecido.
  • B)com a perda do objeto por culpa de um dos devedores solidários, a solidariedade subsiste no pagamento do equivalente pecuniário, mas pelas perdas e danos somente poderá ser demandado o culpado.
  • C)se houver atraso injustificado no cumprimento da obrigação por culpa de um dos devedores solidários, a solidariedade subsiste no pagamento do valor principal, mas pelos juros da mora somente poderá ser demandado o culpado.
  • D)as exceções podem ser aproveitadas por qualquer dos devedores solidários, ainda que sejam pessoais apenas a um deles.
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Resposta correta: B

Na solidariedade passiva, o credor pode cobrar a dívida inteira de qualquer dos devedores solidários. A lógica é simples e cruel: para o credor, todos respondem pelo todo, e depois quem pagou acerta as contas internamente com os demais, na forma do Código Civil. Mas há uma diferença importante entre o valor principal e os efeitos da culpa de um dos devedores. Se a prestação se perde por culpa de um deles, a solidariedade continua para o equivalente em dinheiro, porém as perdas e danos ficam restritas ao culpado. É exatamente o que diz o art. 279 do Código Civil. Por isso a letra B está correta. A ideia é preservar a posição do credor quanto ao equivalente da obrigação, sem jogar em todos os devedores o peso adicional da conduta culposa de apenas um deles. Em linguagem de prova: o todo continua solidário, mas os danos colaterais da culpa não viram bola dividida. As demais alternativas escorregam em detalhes clássicos. A sucessão hereditária limita a responsabilidade do herdeiro ao quinhão e ao limite da herança (art. 276), as perdas e danos por mora não funcionam como a alternativa C sugere, e as exceções pessoais não aproveitam a todos, apenas as comuns ou aquelas próprias que não sejam exclusivas de um devedor.

Questão 7

A respeito dos defeitos dos negócios jurídicos, assinale a opção correta.

  • A)A lesão é um defeito que surge concomitantemente à realização do negócio e enseja a sua anulabilidade. Entretanto, permite-se a revisão contratual para evitar a anulação, aproveitando-se, assim, o negócio.
  • B)Se, na celebração do negócio, uma das partes induzir a erro a outra, levando-a a concluir o negócio e a assumir uma obrigação desproporcional à vantagem obtida pelo outro, esse negócio será nulo porque a manifestação de vontade emana de erro essencial e escusável.
  • C)O dolo acidental, a despeito do qual o negócio seria realizado, embora por outro modo, acarreta a anulação do negócio jurídico.
  • D)Tratando-se de negócio jurídico a título gratuito, somente se configura fraude quando a insolvência do devedor seja notória ou haja motivo para ser conhecida, admitindo-se a anulação do negócio pelo credor.
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Resposta correta: A

Nos defeitos dos negócios jurídicos, a ideia central é simples: a vontade existe, mas veio com algum problema na formação. Por isso, o Código Civil trata desses vícios com a consequência mais comum sendo a anulabilidade, e não a nulidade. Entre os principais defeitos estão erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores. A lesão, prevista no art. 157 do Código Civil, acontece quando uma pessoa, por necessidade ou inexperiência, assume obrigação manifestamente desproporcional. O ponto importante é que ela nasce no momento da celebração do negócio e, em regra, torna o ato anulável. Só que o próprio Código, no § 2º do art. 157, permite que o juiz não anule logo de cara: se a outra parte oferecer suplemento suficiente, ou reduzir o proveito excessivo, o negócio pode ser preservado. É exatamente isso que faz a alternativa A estar correta. Ela descreve bem a lesão como defeito contemporâneo ao negócio e lembra a solução mais inteligente do sistema: antes de desfazer tudo, tenta-se salvar o contrato com revisão. Em prova de Civil, essa ideia de conservação do negócio costuma aparecer bastante porque combina com a lógica de aproveitar o ato jurídico sempre que possível. O restante das alternativas escorrega em pontos clássicos: erro e dolo não geram nulidade, mas anulabilidade; dolo acidental não anula o negócio, apenas pode gerar reparação; e, na fraude contra credores, o regime é de anulabilidade por ação pauliana, com regras próprias sobre insolvência e atos gratuitos.

Questão 8

Durante dez anos, empregados de uma fabricante de extrato de tomate distribuíram, gratuitamente, sementes de tomate entre agricultores de uma certa região. A cada ano, os empregados da fabricante procuravam os agricultores, na época da colheita, para adquirir a safra produzida. No ano de 2009, a fabricante distribuiu as sementes, como sempre fazia, mas não retornou para adquirir a safra. Procurada pelos agricultores, a fabricante recusou-se a efetuar a compra. O tribunal competente entendeu que havia responsabilidade pré-contratual da fabricante. A responsabilidade pré-contratual é aquela que:

  • A)deriva da violação à boa-fé objetiva na fase das negociações preliminares à formação do contrato.
  • B)deriva da ruptura de um pré-contrato, também chamado contrato preliminar.
  • C)surgiu, como instituto jurídico, em momento histórico anterior à responsabilidade contratual.
  • D)segue o destino da responsabilidade contratual, como o acessório segue o principal.
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Resposta correta: A

A responsabilidade pré-contratual aparece quando as partes ainda não fecharam o contrato, mas já entraram em negociações sérias e, por isso, devem agir com lealdade, transparência e boa-fé objetiva. Se alguém cria uma confiança legítima no outro e depois frustra essa expectativa sem justificativa, pode surgir o dever de indenizar pelos prejuízos causados nessa fase inicial. É o famoso período do 'quase negócio', em que ainda não existe contrato, mas já existe dever de comportamento correto. No caso narrado, a fabricante agiu durante anos de modo estável: distribuía sementes e depois comprava a safra. Os agricultores passaram a confiar nessa conduta e organizaram sua produção com base nela. Quando a empresa rompeu abruptamente esse padrão, sem aviso ou motivo relevante, o tribunal reconheceu violação da boa-fé objetiva na fase pré-contratual, com responsabilidade por culpa in contrahendo. O fundamento está na boa-fé objetiva e nos deveres anexos de lealdade e confiança, hoje refletidos nos arts. 113 e 422 do Código Civil, além da construção doutrinária e jurisprudencial sobre responsabilidade pré-contratual. Por isso, a letra A está correta: ela descreve exatamente a violação à boa-fé objetiva nas negociações preliminares à formação do contrato.

Questão 9

No que diz respeito à extinção dos contratos, assinale a opção correta.

  • A)Na resolução por onerosidade excessiva, não é necessária a existência de vantagem da outra parte, bastando que a prestação de uma das partes se torne excessivamente onerosa.
  • B)A resolução por inexecução voluntária do contrato produz efeitos ex tunc se o contrato for de execução continuada.
  • C)Ainda que a inexecução do contrato seja involuntária, a resolução ensejará o pagamento das perdas e danos para a parte prejudicada.
  • D)A eficácia da resolução unilateral de determinado contrato independe de pronunciamento judicial e produz efeitos ex nunc.
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Resposta correta: D

A extinção dos contratos pode acontecer por vários caminhos: cumprimento normal, resolução, resilição e, em alguns casos, denúncia ou cláusula resolutiva. Na resolução, o problema aparece porque o contrato foi rompido por inadimplemento ou por alguma situação excepcional que tornou a manutenção do vínculo injusta ou inviável. Quando a extinção decorre de resolução unilateral, a ideia é simples: uma das partes pode pôr fim ao contrato sem precisar, necessariamente, de uma sentença antes disso, desde que a lei ou o próprio contrato autorizem essa saída. Depois, claro, pode haver discussão judicial se a outra parte contestar, mas o ato de extinguir não depende, por si só, de pronunciamento do juiz. Além disso, essa modalidade costuma produzir efeitos ex nunc, isto é, para frente. Em regra, ela não apaga tudo como se o contrato nunca tivesse existido; preserva os efeitos já consumados até a extinção. Essa é a lógica que torna a alternativa D correta. As demais opções escorregam em pontos clássicos: misturam resolução por onerosidade excessiva com requisitos que a lei exige, confundem efeitos ex tunc e ex nunc, e tratam perdas e danos como se fossem automáticas em qualquer hipótese. Aqui, vale lembrar a disciplina do Código Civil sobre resolução, especialmente os arts. 474, 475, 478 a 480, e a compreensão doutrinária de que a resolução unilateral pode operar fora do Judiciário quando houver autorização legal ou contratual.

Questão 10

Jane e Carlos constituíram uma união estável em julho de 2003 e não celebraram contrato para regular as relações patrimoniais decorrentes da aludida entidade familiar. Em março de 2005, Jane recebeu R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de doação de seu tio Túlio. Com os R$ 100.000,00 (cem mil reais), Jane adquiriu em maio de 2005 um imóvel na Barra da Tijuca. Em 2010, Jane e Carlos se separaram. Carlos procura um advogado, indagando se tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005. Assinale a alternativa que indique a orientação correta a ser exposta a Carlos.

  • A)Por se tratar de bem adquirido a título oneroso na vigência da união estável, Carlos tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005.
  • B)Carlos não tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais entre os mesmos o regime da separação total de bens.
  • C)Carlos não tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, em virtude da ausência de contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais entre os mesmos o regime da comunhão parcial de bens, que exclui dos bens comuns entre os consortes aqueles doados e os sub-rogados em seu lugar.
  • D)Carlos tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, muito embora o referido bem tenha sido adquirido com o produto de uma doação, não se aplica a sub-rogação de bens na união estável.
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Resposta correta: C

Na união estável, se você não faz contrato escrito escolhendo outro regime, a regra é bem conhecida: aplica-se a comunhão parcial de bens. Isso está no art. 1.725 do Código Civil. Em linguagem simples, entra na partilha o que foi adquirido onerosamente durante a convivência, mas ficam de fora os bens recebidos por doação ou herança, além daqueles que venham a substituir esses bens. Aqui está o ponto decisivo: Jane recebeu R$ 100.000,00 por doação do tio Túlio. Esse dinheiro não se comunica com Carlos. Depois, ela comprou o imóvel com esse valor. Como o bem foi adquirido por sub-rogação de bem particular, ele também não entra na divisão, nos termos do art. 1.659, I, aplicado à união estável por força do art. 1.725 do CC. Então não adianta dizer apenas que o imóvel foi comprado durante a união. Em regime de comunhão parcial, isso não basta. O que importa é a origem do dinheiro. Se veio de doação e foi usado para comprar outro bem, a proteção patrimonial acompanha a origem do patrimônio, como se o bem estivesse trocando de roupa, mas continuasse o mesmo na essência. Por isso, Carlos não tem direito à partilha do imóvel da Barra da Tijuca. A orientação correta é justamente a que reconhece a comunhão parcial, mas exclui da meação os bens doados e os sub-rogados em seu lugar.

Perguntas frequentes

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Como são as questões da FGV?

Em geral múltipla escolha com cinco alternativas, em forma de caso prático, com textos longos e alternativas igualmente detalhadas. Muitas cobram inferência, ou seja, informação implícita que exige raciocínio. Vários concursos têm também fase discursiva com limite de linhas.

Qual a melhor forma de estudar pra banca FGV?

Resolver muitas questões da própria FGV, cronometrando, lendo o enunciado inteiro antes das alternativas e revisando os erros por causa (interpretação, pegadinha ou conteúdo). O treino precisa imitar o formato real da prova.

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