Sobre o poema "Do bem e do mal" autoria de Mário Quintana, marque a alternativa com análise INCORRETA: Do bem e do mal Todos têm seu encanto: os santos e os corruptos. Não há coisa na vida inteiramente má. Tu dizes que a verdade produz frutos... Já viste as flores que a mentira dá? (Mário Quintana).
- A)No período composto: "Tu dizes que a verdade produz frutos" − identificamos: sujeito simples representado por pronome pessoal do caso reto; conjunção subordinativa integral "que" e oração subordinada substantiva objetiva direta.
Está correta: "tu" funciona como sujeito simples, "que" introduz oração subordinada substantiva objetiva direta e "que a verdade produz frutos" completa o sentido de "dizes".
- B)O núcleo do predicado da oração: "Não há coisa na vida inteiramente má" − está representado por um verbo de segunda conjugação, na terceira pessoa do presente do modo indicativo seguido de objeto direto representado por um substantivo.
Está correta: em "Não há coisa na vida inteiramente má", "há" é verbo impessoal e "coisa" funciona como objeto direto, com núcleo nominal.
- C)O título do poema contém termos oxítonos que exemplificam uma antítese e contrações prepositivas impostas pela regência nominal.
Está errada: o título não apresenta análise sintática desse tipo, nem "termos oxítonos" ou "antítese" entram como classificação sintática; além disso, "do" é só contração de preposição com artigo.
- D)A oração: "Todos têm seu encanto" está escrita com os termos essenciais na ordem direta e apresenta complemento verbal direto.
Está correta: "Todos têm seu encanto" está em ordem direta e o verbo "ter" exige complemento direto, aqui representado por "seu encanto".
- E)O verso: "Já viste as flores que a mentira dá?" − temos um pronome relativo posposto ao núcleo do objeto direto do verbo "dá".
Está correta: em "que a mentira dá", "que" é pronome relativo retomando "as flores", atuando como objeto direto do verbo "dá".
Gabarito: C
Nesta questão, a banca mistura sintaxe com uma pitada de leitura gramatical do poema. O ponto central é reconhecer função das palavras no período e também perceber quando um trecho tenta parecer análise sintática, mas escorrega para comentário de vocabulário ou de estilo. Em sintaxe, você precisa olhar para sujeito, verbo, objetos e orações subordinadas sem se deixar distrair pelo brilho do texto literário. Na alternativa C, o erro está em dizer que o título traz "termos oxítonos" e que isso exemplifica uma antítese e contrações prepositivas. O título "Do bem e do mal" não tem relação com oxítonas nem com contrações prepositivas, porque "do" é apenas a contração da preposição "de" com o artigo "o", e não há aí nenhuma análise sintática relevante ligada a isso. Além disso, a antítese é uma figura de linguagem, não um fenômeno sintático. As demais alternativas trazem observações sintáticas compatíveis com a gramática normativa: sujeito simples, oração subordinada substantiva, ordem direta, objeto direto e pronome relativo. Em prova, quando aparecer mistura de sintaxe com figura de linguagem ou classificação sem base no trecho, desconfie. A banca costuma testar justamente esse momento em que a pessoa lê bonito, mas marca errado.