Marcuschi (2008, p. 58) considera que “um problema do ensino é o tratamento inadequado, para não dizer desastroso, que o texto vem recebendo, não obstante as muitas alternativas e experimentações que estão sendo hoje tentadas. Com efeito, introduziu-se o texto como motivação para o ensino sem mudar as formas de acesso, as categorias de trabalho e as propostas analíticas”. MARCUSCHI, L. A. Produção textual. Análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. Assinale a alternativa que apresenta uma característica do ensino INADEQUADO de produção textual.
- A)A linguagem é concebida pelo professor como uma forma de interação social.
Errada, porque conceber a linguagem como interação social é uma visão adequada e atual de ensino, não um problema.
- B)O processo de construção do texto compreende um momento de planejamento, de escrita, de (re)leitura e, ao mesmo tempo, de reescrita.
Errada, porque prever planejamento, escrita, releitura e reescrita caracteriza uma prática processual e correta de produção textual.
- C)Os alunos escrevem para o professor, que é o único leitor do texto.
Certa, porque restringir o leitor ao professor torna a escrita artificial e sem função social efetiva, exatamente o que Marcuschi critica.
- D)A situação de emprego da língua é considerada autêntica.
Errada, porque considerar a situação de uso autêntica indica um ensino adequado, com texto situado em contexto real.
- E)O aluno é inserido em reais práticas sociais de leitura e escrita.
Errada, porque inserir o aluno em práticas sociais reais de leitura e escrita é um princípio do ensino adequado de língua portuguesa.
Gabarito: C
Marcuschi critica um ensino de produção textual que reduz o texto a pretexto para exercitar regras, sem considerar quem escreve, para quem escreve e em que situação de uso. Em uma proposta mais adequada, o aluno planeja, escreve, relê e reescreve, com foco em interação, finalidade e circulação real do texto. A lógica do ensino adequado é tratar a linguagem como prática social: o texto tem destinatário, intenção e contexto. Por isso, a escola deve aproximar a escrita de usos reais, e não transformá-la em tarefa mecânica feita só para preencher folha. O gabarito é a letra C porque, quando os alunos escrevem apenas para o professor, que vira o único leitor, a atividade perde caráter comunicativo e vira um exercício artificial. Esse é justamente o tipo de prática inadequada criticado por Marcuschi: muda-se o nome da atividade, mas mantém-se a velha lógica de correção pela correção. Em concursos, fique atento a expressões como 'interação social', 'práticas reais de leitura e escrita' e 'reescrita'. Elas costumam apontar para uma abordagem moderna e adequada do ensino de produção textual, enquanto a visão centrada só na avaliação do professor denuncia um modelo ultrapassado.