Quanto à ocorrência do acento indicativo de crase, assinale a alternativa em que a frase redigida está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.
- A)Os pais normalmente lembram bem as histórias que contam à seus filhos.
Errada, porque o verbo "contar" pede "a" e, antes de pronome possessivo feminino no plural, a crase é facultativa apenas em alguns casos específicos, mas aqui ainda há o problema de construção com "à seus", que fica incorreta.
- B)A história tinha acontecido à irmã e não com o próprio narrador da história.
Certa, porque há a preposição exigida por "acontecer" e a fusão com o artigo de "irmã", formando "à irmã".
- C)Poucas pessoas já viram à marca de nascença, já que fica escondida.
Errada, porque "marca" é substantivo feminino, mas o verbo "ver" não exige preposição nessa construção, então não há motivo para crase.
- D)É normal pessoas buscarem à resposta para algo que lhes intriga.
Errada, porque "buscar" no sentido de procurar é verbo transitivo direto e, portanto, não exige preposição antes de "resposta".
- E)Filhos recorrem à histórias vividas na infância para se compreenderem.
Errada, porque "histórias" pede artigo feminino plural, mas a regência de "recorrem" exige preposição "a"; nesse caso, a forma correta é "às histórias".
Gabarito: B
Crase é o encontro da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com pronomes/locuções que aceitam esse encontro). Na prática, você só usa o acento grave quando há essa fusão: vou a + a escola = vou à escola. Se faltar artigo feminino, se houver verbo no infinitivo, ou se a palavra seguinte não admitir artigo, nada de crase. Parece detalhe, mas é justamente aí que a banca gosta de pescar você. Na alternativa B, a frase está correta porque o verbo "acontecer", nesse contexto, pede a preposição "a" quando indica algo que ocorreu com alguém: "aconteceu a alguém". Como "irmã" é substantivo feminino e vem determinado por artigo definido implícito, ocorre a fusão da preposição com o artigo: "à irmã". A construção "aconteceu à irmã" está, portanto, de acordo com a norma-padrão. Já nas outras alternativas, a crase aparece onde não deve ou deixa de aparecer onde deveria. Em prova de gramática normativa, o caminho é sempre o mesmo: veja se existe regência exigindo preposição e depois teste se a palavra feminina aceita artigo. Se os dois lados existirem, crase. Se um deles falhar, sem acento.