Admite a transposição para a voz passiva a forma verbal da frase:
- A)O orador pulverizava as dúvidas de seus interlocutores.
Certa: "pulverizava" é transitivo direto e admite passiva analítica, com "as dúvidas" virando sujeito paciente.
- B)A dúvida corresponde a um legítimo direito nosso.
Errada: "corresponde" rege complemento com preposição e não forma voz passiva analítica.
- C)Tantos parecem estar certos sobre tudo.
Errada: "parecem" é verbo de ligação/auxiliar de estrutura predicativa, sem objeto direto a ser passivado.
- D)As notícias em que costumamos acreditar são muitas vezes falsas.
Errada: a oração principal usa "são" como verbo de ligação e a relativa não traz um objeto direto apto à passiva.
Gabarito: A
A voz passiva aparece quando a ação, em vez de ficar com o sujeito agente, passa a destacar o objeto paciente. Em regra, isso acontece com verbos transitivos diretos, porque só eles têm um objeto que pode virar sujeito da passiva. A fórmula clássica é: verbo na ativa + objeto direto, que depois vira sujeito paciente na passiva, geralmente com o verbo auxiliar "ser" e o particípio. Isso é a velha ideia ensinada na gramática normativa e cobrada em prova sem dó. Na alternativa A, isso funciona perfeitamente: "O orador pulverizava as dúvidas de seus interlocutores". O verbo "pulverizar", aqui, é transitivo direto, pois recebe objeto direto sem preposição: "as dúvidas". Então a frase admite a passiva: "As dúvidas de seus interlocutores eram pulverizadas pelo orador." Perceba como o antigo objeto vira sujeito paciente e o agente aparece na expressão "pelo orador". Nas demais opções, a banca misturou estruturas que não se deixam converter tão facilmente. Há verbo de ligação, verbo intransitivo e até construção com sujeito expresso sem objeto direto compatível. Em questão de voz passiva, o segredo é sempre o mesmo: procurar um verbo que realmente peça objeto direto. Se não houver esse paciente disponível, não há passiva propriamente dita. Então, o gabarito A está correto porque traz uma oração com verbo transitivo direto e objeto direto claro, permitindo a transposição para a voz passiva analítica sem mudar o sentido básico da frase. É aquele momento em que a gramática diz: "agora dá para fazer a troca de roupa da oração".