Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que NÃO corresponde à perspectiva de língua como forma de interação.
- A)O sujeito é visto como uma entidade psicológica e socialmente ativa, uma vez que atua efetivamente na produção do social e da interação.
Está correta, porque apresenta o sujeito como agente ativo na interação social e na produção de sentidos.
- B)O texto é considerado o próprio lugar da interação, e os interlocutores, de maneira dialógica, constroem-se e são construídos nesses textos.
Está correta, pois reconhece o texto como espaço de interação e construção dialógica entre interlocutores.
- C)Os sujeitos (re)produzem o social na medida em que também participam da situação em que se encontram.
Está correta, já que destaca a participação dos sujeitos na reprodução e construção do social na situação comunicativa.
- D)Os interlocutores são vistos como decodificadores textuais, bastando o conhecimento do código linguístico para que consigam compreender os textos.
Está errada, porque reduz a compreensão textual à decodificação do código linguístico, o que não corresponde à visão de língua como interação.
Gabarito: D
A questão cobra a ideia de linguagem como interação, muito associada à perspectiva sociointeracionista. Nessa visão, falar e escrever não são atos soltos: a língua acontece entre sujeitos, em um contexto, com finalidade e com troca de sentidos. Ou seja, o texto não é só um amontoado de frases, mas o lugar em que os interlocutores se encontram e constroem significado juntos. Por isso, nessa abordagem, o sujeito é ativo, participa da produção do sentido e também do social. A leitura deixa de ser uma simples caça ao significado pronto e passa a exigir interpretação, inferência e diálogo com o texto. É a ideia defendida por autores como Bakhtin e retomada em estudos de Koch e Elias: linguagem é interação, e o sentido nasce na relação entre os participantes. O gabarito é a letra D porque ela descreve uma visão mais antiga e limitada da língua, centrada na decodificação do código. Nessa lógica, bastaria conhecer gramática e vocabulário para entender o texto, como se o leitor fosse apenas um receptor passivo. Isso não combina com a perspectiva interacionista, na qual compreender um texto envolve contexto, intenção, conhecimento de mundo e atuação do leitor. Então, quando aparecer uma questão sobre língua como forma de interação, desconfie de alternativas que tratem o leitor como mero decodificador. Se o enunciado fala em sujeitos ativos, texto como espaço de interação e construção conjunta de sentidos, você está no caminho certo.