Observe os períodos abaixo e assinale a alternativa em que o lhe funciona como adjunto adnominal:
- A)“… anunciou-lhe: Filho, amanhã vais comigo.”
"lhe" retoma a ideia de destinatário da ação de anunciar, funcionando como objeto indireto, e não como adjunto adnominal.
- B)O peixe cai-lhe na rede.
"lhe" tem valor possessivo, equivalente a "dele", e por isso caracteriza o substantivo "rede" como adjunto adnominal.
- C)Ao traidor, não lhe perdoaremos jamais.
"lhe" indica a quem se perdoa, isto é, o complemento verbal exigido por "perdoar", então é objeto indireto.
- D)Comuniquei-lhe o fato ontem pela manhã.
"lhe" completa o verbo "comuniquei" com sentido de destinatário, atuando como objeto indireto.
Gabarito: B
O pronome oblíquo "lhe" costuma causar confusão porque, em muitas frases, ele funciona como objeto indireto. Mas existe um caso especial muito cobrado em concurso: quando "lhe" tem valor de posse, ele deixa de completar o verbo como objeto e passa a acompanhar um substantivo, exercendo função de adjunto adnominal. Na prática, isso aparece com verbos que não pedem "lhe" para completar sentido, mas em construções em que a ideia é de pertencimento: "caiu-lhe na rede" equivale a "caiu na rede dele". Perceba que o pronome está ligado ao substantivo "rede", marcando posse, e não ao verbo "cair" como complemento verbal. Por isso, na alternativa B, "lhe" é adjunto adnominal. As gramáticas normativas tratam esse uso como o "lhe" possessivo, muito frequente na língua culta e em provas. Já quando o pronome representa o destinatário, o beneficiário ou o prejudicado da ação, ele tende a ser objeto indireto: "perdoar a alguém", "comunicar algo a alguém". Então, aqui o segredo é perguntar: o pronome responde a "de quem?" ou a "a quem?". Se a resposta for posse, você já achou o adjunto adnominal.