Na frase de César Augusto – “Apressa-te devagar.” – há a presença de um paradoxo, ou seja, o emprego de palavras que contrariam a lógica ou o senso comum, o que também ocorre na seguinte frase de Machado de Assis:
- A)“Faria, apesar do dia e da festa, ria mal, ria sério, ria aborrecido, não acho forma de dizer que exprima com exação a verdade.” (Memorial de Aires);
Correta. “Ria sério” combina termos de sentido contraditório.
- B)“Mas já que falei dos meus tios, deixem-me aqui fazer um curto espaço genealógico.” (Memórias Póstumas de Brás Cubas);
Incorreta. “Curto espaço genealógico” não cria oposição lógica forte.
- C)“Sabemos que a moça não era bonita. Pois estava linda, à força da felicidade.” (Quincas Borba);
Incorreta. A frase contrapõe beleza comum e felicidade, mas sem paradoxo tão direto.
- D)“Estava em casa de D. Cesária, onde a irmã escurecia tudo com a sua viuvez recente.” (Memorial de Aires);
Incorreta. “Escurecia tudo com a viuvez” é imagem/metáfora.
- E)“Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor.” (Memórias Póstumas de Brás Cubas).
Incorreta. “Defunto autor” é jogo conceitual machadiano, mas a contradição formal cobrada é mais direta na alternativa A.
Gabarito: A
Paradoxo aproxima ideias aparentemente incompatíveis. Em “ria sério”, há choque entre a expectativa de riso e a seriedade, criando efeito semelhante ao de “apressa-te devagar”.