O raciocínio indutivo de um texto argumentativo aparece exemplificado na seguinte opção:
- A)Como todos os homens trabalham fora de casa, é natural que os parentes dele procurem arranjar-lhe um emprego.
Errada, porque parte de uma generalização indevida e traz uma relação de causa ou conveniência, não uma conclusão construída por exemplos.
- B)Os casos de atentados à liberdade de imprensa são bastante comuns; eles confirmam a ideia de que esse é um espaço delicado.
Certa, porque reúne casos particulares de atentados à liberdade de imprensa e deles extrai uma conclusão geral sobre a delicadeza desse espaço.
- C)Alguns estados americanos ainda defendem a pena de morte, assim como fazem outros países.
Errada, porque faz apenas uma comparação entre situações, sem organizar uma passagem do particular para uma conclusão geral.
- D)Como os trovões da noite assustaram os animais, o fazendeiro decidiu colocar vedações nas portas.
Errada, porque apresenta uma relação causal entre um fato e a decisão do fazendeiro, sem indução argumentativa.
- E)Do mesmo modo que estudamos bastante matérias científicas, deveríamos também ensinar educação artística.
Errada, porque estabelece uma analogia entre duas situações, mas não exemplifica um raciocínio indutivo.
Gabarito: B
O raciocínio indutivo vai do particular para o geral. Em vez de começar com uma tese pronta e depois provar, o texto apresenta casos, exemplos ou fatos e, a partir deles, leva o leitor a aceitar uma conclusão mais ampla. É quase como juntar pistas até formar a imagem completa. Num texto argumentativo, isso aparece quando a argumentação começa por observações concretas e termina em uma ideia geral, plausível, construída com base nesses dados. Não é uma prova matemática, mas um caminho persuasivo: "olhe esses casos, então faz sentido aceitar essa conclusão". A alternativa B faz exatamente isso: apresenta vários casos de atentados à liberdade de imprensa e, a partir deles, confirma a ideia de que esse é um espaço delicado. Os fatos particulares servem de apoio para uma conclusão geral sobre a fragilidade desse campo. Já as outras opções trazem relação de causa, comparação ou analogia, mas não esse movimento de generalização a partir de exemplos. Em prova da FGV, fique atento a esse detalhe: indução gosta de exemplos; dedução gosta de regra geral primeiro. É o clássico caminho de ida e volta da argumentação.