“As reformas que pretende fazer o governo argentino não vão funcionar, pois o presidente é ex-exilado político, não fez nada do que prometeu anteriormente e só obedece às suas manias”. Nesse caso, o tipo de argumento utilizado é
- A)uma generalização excessiva.
Errada, porque não há uma generalização sobre um grupo inteiro a partir de um caso isolado, mas sim a desqualificação de uma pessoa específica.
- B)uma relação equivocada causa/efeito.
Errada, pois o texto não estabelece uma relação causal entre fatos de modo lógico, apenas tenta enfraquecer a tese atacando o governante.
- C)uma falsa analogia.
Errada, porque não há comparação entre casos diferentes para justificar uma conclusão; o problema aqui é outro tipo de falácia.
- D)um ataque à pessoa e não ao fato.
Certa, pois o argumento ataca o presidente como pessoa, em vez de discutir diretamente o mérito das reformas.
- E)um círculo vicioso.
Errada, porque não se trata de raciocínio circular, no qual a conclusão já aparece embutida na premissa.
Gabarito: D
A questão cobra tipos de argumentação e, aqui, o foco não está em provar que as reformas vão dar errado por dados concretos sobre as reformas, mas em desqualificar quem as propõe. Quando o texto diz que o presidente é ex-exilado, que não fez o que prometeu e que obedece às próprias manias, ele desloca o debate do conteúdo da reforma para a figura do governante. Isso é um ataque à pessoa, também conhecido como argumentum ad hominem: em vez de analisar a medida em si, a crítica tenta enfraquecer a tese atacando características, histórico ou comportamento de quem a defende. Em provas da FGV, é comum esse tipo de leitura em que se confunde crítica ao agente com crítica à ideia. Perceba a sutileza: o enunciado não demonstra tecnicamente por que a reforma falharia; ele apenas tenta convencer você de que, como o presidente seria alguém pouco confiável, então o plano não prestaria. Esse salto lógico é o coração da falácia. Por isso, o gabarito é a letra D. Não é uma discussão sobre causa e efeito bem estabelecida, nem uma analogia entre casos; é um ataque pessoal travestido de argumento. Em termos de redação e interpretação, o alvo é a pessoa, não a proposta.