Uma das normas de uso da voz passiva recomenda que, quando se tem um sujeito representado por um nome de coisa, é mais conveniente o emprego da passiva pronominal, como ocorre no seguinte caso:
- A)Visitou-se o doente no hospital.
Embora tenha forma passiva pronominal, a frase não ilustra a preferência pedida com a mesma naturalidade do item correto, pois o foco da norma é o emprego mais conveniente com sujeito de coisa.
- B)Comprou-se o cimento necessário para a obra.
Correta: o sujeito é "o cimento necessário para a obra", um nome de coisa, e a voz passiva pronominal é a forma mais conveniente segundo a norma cobrada.
- C)As frutas foram adquiridas pela manhã.
Aqui há voz passiva analítica, não pronominal, porque a construção usa "foram adquiridas" em vez de "se".
- D)Não se conhecem as pessoas pelo olhar.
A frase pode ser interpretada como voz passiva pronominal, mas o sujeito não é um nome de coisa no sentido pedido pela norma destacada no enunciado, além de a construção favorecer outra leitura.
- E)Todos se manifestaram a favor.
Não há voz passiva: "se manifestaram" indica verbo pronominal/ação de sujeitos agentes, e não uma estrutura passiva.
Gabarito: B
A questão explora a preferência estilística pela voz passiva pronominal quando o sujeito é um nome de coisa. Nesses casos, a construção com "se" costuma soar mais natural do que a passiva analítica com "ser + particípio", principalmente em textos normativos e em provas de gramática. Em outras palavras: com sujeito inanimado, a frase ganha fluidez com "vende-se", "aluga-se", "comprou-se" e companhia. No item B, isso aparece direitinho: "Comprou-se o cimento necessário para a obra." O sujeito é "o cimento necessário para a obra", isto é, um nome de coisa, e a forma pronominal está bem empregada. A oração equivale a "O cimento necessário para a obra foi comprado", mas a redação com "se" é a preferida pela norma em situações assim. A base gramatical aqui é a análise tradicional da voz passiva sintética ou pronominal, muito cobrada pela FGV. O ponto-chave é observar o tipo de sujeito: se ele é coisa e não há motivo para estranheza, a passiva pronominal tende a ser a escolha mais adequada. O examinador gosta desse detalhe porque muita gente enxerga o "se" e pensa em sujeito indeterminado, mas nem sempre é esse o caso.