Observe a seguinte frase: “Ele ficou esgotado porque correu muito”. A maneira de reescrevê-la que modifica o seu sentido original é:
- A)Se ele correu muito, ficou esgotado;
Errada, porque transforma a relação de causa em condição, mudando o sentido original da frase.
- B)Ele sentiu-se esgotado por ter corrido muito;
Certa, pois mantém a ideia de que o esgotamento foi causado por ter corrido muito.
- C)Já que correu muito, sentiu-se esgotado;
Certa, porque "já que" preserva a relação causal entre correr muito e sentir-se esgotado.
- D)Porque correu muito, ficou esgotado;
Certa, porque "porque" mantém exatamente a mesma relação de causa da frase original.
- E)Seu esgotamento ocorreu por ter corrido muito.
Certa, pois reformula a frase sem alterar a ideia de que o esgotamento ocorreu devido à corrida.
Gabarito: A
A questão cobra reescrita com preservação de sentido. Aqui, a frase original traz uma relação de causa e consequência: ele ficou esgotado em razão de ter corrido muito. Em português, isso pode aparecer com conectivos diferentes, como "porque", "já que", "por ter", "ocorreu por", desde que a ideia básica continue sendo a mesma. O ponto da banca é observar se a troca de estrutura muda a relação lógica. Se você troca causa por condição, como acontece em "se ele correu muito, ficou esgotado", o sentido muda bastante. "Se" não afirma a causa, só cria uma hipótese ou condição. Fica algo como: caso ele tenha corrido muito, então ficou esgotado. É outra lógica, mais de condição do que de explicação. As demais alternativas mantêm a ideia de causa de forma bem próxima ao original. Por isso, a única que modifica o sentido é a letra A. Em prova da FGV, vale ficar atento a esse tipo de armadilha: a banca adora trocar o conectivo e ver se você percebe que a relação semântica escapou pela janela.