Entre as frases abaixo, há uma em que foi mal colocado um adjetivo sublinhado, que não é aconselhável ser anteposto ao substantivo; assinale essa frase.
- A)O riso é a aritmética elementar; o humorismo é a álgebra; a ironia, o infinitesimal cálculo.
Errada, porque "infinitesimal" foi mal anteposto, já que a forma natural e consagrada é "cálculo infinitesimal".
- B)A ironia é uma grande tristeza que não pode chorar e rir.
Certa, pois "grande tristeza" é colocação normal e expressiva, sem problema de posição do adjetivo.
- C)A ironia é uma elegante forma de ser mau.
Certa, porque "elegante forma" é construção aceitável e idiomática no português.
- D)Onde há boa imaginação, não há horror.
Certa, já que "boa imaginação" é combinação corrente e não há inadequação na anteposição.
- E)Nunca esqueço um belo rosto, mas no seu caso vou abrir uma exceção.
Certa, porque "belo rosto" é expressão natural e muito comum na língua.
Gabarito: A
A questão cobra a posição do adjetivo em relação ao substantivo. Em português, a ordem não é só enfeite: em muitos casos, o adjetivo antes do nome soa mais subjetivo, expressivo ou até muda o sentido. Por isso, nem todo adjetivo fica bem na frente do substantivo. Há casos em que a colocação mais natural é depois do nome, especialmente quando se trata de locuções ou termos consagrados pelo uso. Na frase da alternativa A, a sequência "infinitesimal cálculo" ficou artificial. O normal e consagrado é "cálculo infinitesimal", expressão já estabilizada na língua. Antepor "infinitesimal" aqui quebra a naturalidade e soa como um deslocamento impróprio do adjetivo. As demais alternativas não trazem problema semelhante. "Grande tristeza", "elegante forma", "boa imaginação" e "belo rosto" são colocações perfeitamente aceitáveis e até comuns no uso culto. A banca, aqui, quer que você perceba o encaixe mais ou menos feliz do adjetivo na frase, não apenas a correção gramatical seca. Em resumo: a questão cobra regência do uso, e uso também é gramática.