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Português · FGV · 2025

Questão comentada de Português

Observe o seguinte texto: “Senhor juiz, eu sei que o senhor tem bom coração. Está certo que meu filho cometeu um crime, mas ele deve ser absolvido. Esse menino está enfrentando problemas terríveis: o pai adoeceu, o irmão está desaparecido, a irmã fugiu de casa, uma tragédia. Se ele for condenado, ficará traumatizado para o resto da vida, senhor juiz”. O problema estrutural desse texto é que

Gabarito: A

Aqui o texto tenta convencer o juiz, mas comete um erro clássico de estrutura argumentativa: ele não prova que o réu merece absolvição; apenas lista fatos tristes da vida familiar dele. Em outras palavras, há emoção, mas falta ligação lógica entre as premissas e a conclusão. O argumento basicamente diz: "ele sofre muito, então não deve ser condenado". Só que sofrimento pessoal não apaga o crime, nem demonstra inocência. Em produção e interpretação de texto, isso aparece como falha de pertinência: os argumentos precisam sustentar a conclusão de modo racional. Se a conclusão é "deve ser absolvido", o texto precisaria trazer razões jurídicas, provas de ausência de autoria, atenuantes legais relevantes ou algo que realmente converse com essa conclusão. O que vem antes, porém, é só um apelo sentimental, quase um pedido de pena. Por isso o gabarito A está correto: os argumentos não apoiam a conclusão. O texto até tenta gerar compaixão no leitor, mas compaixão não é fundamento lógico suficiente para absolvição. É aquele momento em que a argumentação pede carona para a emoção, mas esquece de trazer o mapa da lógica. Na linguagem da argumentação, a conclusão precisa decorrer das premissas. Se as premissas falam de drama familiar e a conclusão fala de absolvição penal, falta encaixe. A FGV gosta justamente de identificar esse tipo de quebra estrutural: muita pressão emocional, pouca sustentação racional.

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